CONSCIÊNCIA NEGRA - É de pequeno que se aprende a respeitar a diversidade
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terça-feira, 19 de novembro de 2013
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
Eles têm de 0 a 5 anos, mas já sabem muita coisa sobre a importância do respeito à diversidade racial. Na Semana da Consciência Negra data oficialmente comemorada amanhã o Centro de Educação Infantil Kalin Youssef Youssef, no Conjunto Hilda Mandarino (região norte), não preparou uma programação especial, mas o tema é trabalhado durante o ano todo - há dois anos - como projeto permanente. Nas salas de aula, as ideias vão ganhando forma e se desdobrando em subprojetos. Desde o berçário os bebês já são estimulados a brincar com bonecas negras, a escutar músicas com ritmos africanos e a conviver com naturalidade com as diferenças. Teatro, rodas de conversa, contação de história e atividades lúdicas ao ar livre fazem parte da proposta pedagógica que envolve toda a instituição.
Na sala da professora Elaine Figueiredo, a turma de educação infantil do nível 5 está afinada com a história do pacifista negro americano Martin Luther King chamado carinhosamente por eles de "Dr. King" -, da Tia Ciata (responsável pelo surgimento do samba carioca) e até de Clementina de Jesus (precursora brasileira de diversos ritmos africanos). Entre diversas atividades, teve a confecção de um mapa gigante do continente africano, sendo que alguns países (dos 54 existentes) foram relacionados com histórias típicas do lugar, como a história de tradição oral "As pérolas de Cádija", do Senegal ou a "Mulher Gorda", da Nigéria.
"Foi uma forma de ajudar na parte da memorização das crianças. O continente é muito grande e com as histórias ficou mais fácil para eles associarem as informações", explica a professora, que fez diversas pesquisas para coletar esse material. "Não temos muito material disponível e é o professor que tem que correr atrás. É uma semente que estamos plantando e nessa fase dá para trabalhar bem esse conteúdo; sinto por não ter tido esse tipo de conteúdo quando eu estava na escola", observa. Os alunos também fizeram um pequeno livro sobre Luther King e um livro coletivo sobre a Tia Ciata, além de confeccionarem máscaras africanas.
Uma das atividades que mais gostaram de fazer foi o teatro sobre a origem dos tambores ("A lenda do tambor africano"), que conta a história de diversos macaquinhos de nariz branco que queriam chegar à Lua. Com tambores feitos de latas de metal, os alunos se divertiram com as peripécias dos macacos, que chegaram a formar uma torre com os próprios corpos para alcançar a Lua. Com saudade da África, o macaquinho que realizou a façanha acabou pedindo para voltar e ganhou de presente da Lua um tambor, que virou um instrumento típico africano. Brincando e se divertindo, mais um conteúdo aprendido.
Construindo brinquedos
A professora de biblioteca Gleisse Martins também insiste na criatividade e na variação de materiais para sensibilizar seus alunos sobre a questão racial. Atualmente ela está abordando as comunidades quilombolas do Paraná e apresentou para os alunos de 3 a 4 anos a história da Mãe Dinha e sua casa feita de taipa e barro construção típica desses locais. Ela também relaciona conceitos da cultura indígena e assim vai ampliando o repertório cultural das crianças.
"É importante que consigamos transpor para as crianças os conteúdos de forma mais concreta. Foi assim que surgiu a ideia de confeccionarmos com caixinhas de papel uma casa de brinquedo feita com barro, após a apresentação da história", explica a educadora, em meio às crianças, que eram diversão pura com as mãos sujas de argila, em atividade feita ao ar livre, sob uma sombra frondosa.
"Nós também já brincamos no pátio de Cinco Marias, que é uma brincadeira de origem africana, e de peteca, de origem indígena, enfocando tanto a parte lúdica quanto esportiva", acrescenta.
Na sua opinião, muitos alunos apresentam uma visão estereotipadas das culturas negra e indígena e mesmo as crianças de famílias negras não se reconhecem como tal: "É um trabalho que envolve a construção de identidade dessas crianças, a autoestima e a percepção dos seus valores", pondera.
Segundo a diretora Simone Consolari, esse tipo de trabalho é fundamental para a conscientização das crianças e contribui para uma formação mais cidadã a partir da infância. "Apesar de serem tão pequenos, já temos situações que eles demonstram preconceito quando dizem, por exemplo, que não vão sentar perto de algum amigo que consideram feio, gordo ou diferente por ser negro. É algo que precisamos conversar com eles quando acontece e trabalhar a questão desde cedo. E o professor não pode perder essas oportunidades, pois ele tem um poder de influência muito grande nessa faixa etária", conclui a diretora.
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