Desde 1993, quando foi criada a lei 10.639 que prevê a inclusão do tema da diversidade no currículo escolar, as escolas vêm a cada ano procurando desenvolver projetos que possam estimular nas crianças a consciência sobre algo que está diretamente ligado ao respeito e à qualidade da convivência. Falar sobre preconceito aos pequenos de uma forma construtiva ainda é um desafio e a criatividade muitas vezes tem sido uma grande aliada .
No dia 20 de novembro, feriado municipal em Londrina pelo terceiro ano consecutivo, o Dia da Consciência Negra ganha destaque. A data relembra a morte de Zumbi dos Palmares, que aconteceu em 1695. Zumbi foi um dos principais líderes do Quilombo do Palmares, em Alagoas, uma das áreas usadas pelos escravos quando fugiam do domínio dos senhores de engenho.
Na Escola Municipal Zumbi dos Palmares, em Londrina, o próprio nome do patrono da instituição já é uma lembrança diária do importante líder negro. Localizada no Jardim União da Vitória (Região Sul), o nome foi escolhido pela própria comunidade, conhecida na cidade pelo histórico de conquistas sociais no bairro.
Sendo assim, todo dia 20 de novembro é aguardado com expectativa pelos alunos e pela comunidade como a oportunidade de mostrar parte dos projetos que são desenvolvidos no decorrer do ano tendo como tema transversal a diversidade. Neste ano as comemorações acontecem nos dias 22 e 23 de novembro, nos períodos da manhã e da tarde.
Como a escola também funciona em período integral, muitas oficinas em contraturno são utilizadas para a criação de trabalhos diferenciados aproveitando o tema africanidades. Os alunos fazem duas oficinas por bimestre. Na oficina de jogos, máscaras africanas foram confeccionadas por alunos de 9 a 12 anos utilizando diversas técnicas, como colagem, pintura e desenho; um jogo de memória com máscaras africanas também foi produzido e irá servir de material didático permanente. "Todo trabalho é contextualizado, envolve pesquisa de texto, música e parte da vivência deles, que relatam algumas situações em que sofreram preconceito", conta a professora Nilda Bandeira.
Já nas aulas de arte da professora Liz Maria Borges Baú, a riqueza cultural da tribo africana Ndebele, mais conhecida pelas "mulheres girafas", motivou a montagem de uma maquete reproduzindo os grafismos coloridos das casas, a construção de mandalas, bonecas africanas e até sandálias de papel com os desenhos característicos, que inspiraram também uma marca renomada de sandálias plásticas e estilistas famosos. Além disso, os alunos ainda fizeram releituras de telas de Portinari.
Na oficina de matemática criativa da professora Ana Maria Pinto Romano, o tema africanidades também gerou curiosidade em torno do funcionamento dos quilombos e do trabalho escravo. Ao reproduzir um quilombo, com personagens de papel e até um carro de boi com rodas de CDs, alguns alunos tiveram a oportunidade de experimentar cana-de-açúcar pela primeira vez.
Os alunos do segundo ano também estão se divertindo com a confecção das bonecas africanas feitas com garrafas pequenas de refrigerante; as bonecas negras namoradeiras típicas de Minas Gerais - feitas com papel jornal e garrafas PET - também estão chamando a atenção das crianças que participam da oficina de sustentabilidade da professora Rose Nino.
A escola ainda mantém um blog (laboratoriodeinformaticazp.blogspot.com), que foi criado no meio do ano pela professora Ândrea Silvia Domingues Sant’ana, com várias informações e atividades relacionadas à consciência negra. O espaço lúdico e educativo é bastante acessado pelos alunos durante as aulas de informática.
"Essa data é bastante esperada até porque os alunos se sentem parte do tema, é algo que fala diretamente a eles, pois o bairro reúne várias culturas. O Zumbi dos Palmares é uma figura sempre lembrada como exemplo de guerreiro, de líder importante", destaca a diretora Jose Litieri Gomes da Silva. "O foco do nosso trabalho é a valorização do ser humano. É um trabalho de sementinha que busca a sensibilização constante sobre o respeito e a igualdade dos direitos", conclui.

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