Consciência ambiental para moldar o futuro
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terça-feira, 23 de outubro de 2018
Marian Trigueiros <br> Reportagem Local 

Na última semana, a população de Londrina presenciou fortes temporais com ventos que ultrapassaram os 70 km/h. A quantidade de água que caiu somada às rajadas de vento ocasionaram destruição por toda a cidade. Somente em decorrência do episódio do dia 17 de outubro, o número de imóveis sem luz na cidade passou dos 50 mil, conforme levantamento da Copel, quase um terço dos imóveis do município. No dia 18, a queda de energia provocada pela tempestade gerou um desabastecimento de água em várias regiões de Londrina e na zona sul e oeste de Cambé. Ao todo, 150 mil imóveis foram afetados e ficaram sem água até a manhã do dia seguinte. Ainda no levantamento feito pela prefeitura, houve queda de 214 árvores e 106 comunicados de destelhamentos e pedidos de lona. Na maioria dos casos, as árvores que não apresentavam estado de conservação ideal, tornando-se um fator a mais de risco.

Para minimizar os impactos de ocorrências como essa e para que não se transformem em tragédias, o Governo Federal lançou, em 2011, o Plano Nacional de Gestão de Riscos e Resposta a Desastres, para que, assim, os estados e municípios consigam prever ou diminuir os desastres ambientais. Desastres que são agravados, em sua maioria, pela tentativa do homem em dominar a natureza com comportamentos inadequados como ocupação irregular do solo em fundos de vale, ausência de conversação das árvores no meio urbano, calçamento indiscriminado que ocasiona inundações, consumo exacerbado de produtos industrializados, produção exagerada de lixo e ausência de reaproveitamento, poluição dos rios e lagos, dentre outros. Infelizmente, há uma distância considerável entre possuir um plano e colocá-lo em prática.
Consciência ambiental
O lado bom é que se até algumas poucas décadas atrás a preocupação com o meio ambiente restringia-se a pequenos grupos, principalmente de ativistas, com as visíveis mudanças climáticas que refletiram diretamente na fauna e flora, a visão mudou e a consciência ambiental ganhou importância no cotidiano e comportamento de uma parte significativa da sociedade. Neste cenário, surgiram algumas iniciativas de empresas que, além das leis ambientais mais rígidas, esforçam-se para executar projetos que diminuam o impacto de suas atividades. As últimas gerações de crianças e adolescentes, inclusive, já recebem aulas de educação ambiental e têm noções de ativismo para que a causa ecológica seja transformada em hábito.
Isso significa dizer que o ensino ambiental é uma ferramenta poderosa para a melhoria e desenvolvimento sustentável futuro. E como é sabido, o hábito só vem com a prática. Para isso, no entanto, não é preciso nenhuma medida inédita ou que requeira altos investimentos. Mudar a realidade da escola e seu entorno já é uma grande conquista. As atividades podem ser específicas e pontuais, porém, quando conectadas de forma interdisciplinar, os ganhos são ainda melhores. Há diversas iniciativas bem-sucedidas como minhocários, compostagem, separação de lixo, hortas comunitárias, plantio de árvores e flores, manutenção de árvores mais antigas, reutilização de materiais recicláveis, entre outros.
Fazendo sua parte
Várias entidades realizam ações de preservação do meio ambiente com atividades que visam a conscientização ambiental da população. Em Londrina, o Instituto Atsushi e Kimiko Yoshii proporciona a reflexão sobre os desastres naturais para a mudança de comportamento. Crianças de escolas parceiras do programa Folha Cidadania vão até a Chácara Graciosa, onde recebem informações didáticas sobre coleta seletiva e geração de resíduos, além de plantarem mudas de árvores nativas. Numa aula diferente e fora da escola, as crianças assistem a um vídeo animado que fala dos cuidados com o meio ambiente, recebem cartilhas educativas e um lápis com uma semente na ponta que, ao final do uso, serve para ser plantada. Na sequência, cada uma planta sua muda de árvore.


Vinte e sete alunos da Escola Municipal Geni Ferreira (região central) puderam participar da atividade e assimilar o conteúdo de forma prática. Para a professora Larissa Cabeças da Silva, tão importante quanto saber sobre a manutenção e preservação da mata nativa, é preservação dos recursos naturais em geral pela mudança de comportamento de toda comunidade. "Tudo o que eles aprendem sobre o meio ambiente na escola é de forma integrada, com todas as disciplinas ligadas entre si. Assim, conseguem entender que ecologia e comportamento fazem parte de um ciclo de ações diárias e rotineiras. Quando participam de uma atividade prática como essa, assimilam ainda mais o conteúdo, sem contar que ficam muito empolgados ao retornar à escola e cheios de ideias", conta a professora.


