Conhecer parte da história de Londrina no local onde funcionava a sede de uma antiga fazenda de café e, em seguida, ter aulas de educação ambiental em uma mata repleta de espécies comuns na região, onde é possível até mesmo observar como nasce um rio. Foi essa a experiência vivenciada por uma turma de alunos do quinto ano da Escola Municipal Hikoma Udihara, localizada no bairro Lindoia, na Zona Leste da cidade.
O passeio ocorreu no Espaço de Educação Ambiental do programa Embrapa & Escola, mantido pela Embrapa Soja em Londrina. A atividade faz parte da programação oferecida pelo programa Folha Cidadania, da Folha de Londrina, às escolas integrantes da iniciativa que visa incentivar a leitura entre crianças e adolescentes.
A Embrapa Soja fica em uma grande fazenda no distrito da Warta (Zona Norte), onde funcionava, antigamente, a fazenda Santa Terezinha, importante produtora de café na época em que a cultura dominava a economia regional. Naquele tempo, a cidade era conhecida como a "capital mundial do café", como frisou Fábio Rogério Ortiz, coordenador do Embrapa & Escola e responsável por receber as crianças no local.
"A ideia é mostrar a história da cultura do café em Londrina e ressaltar a importância de adotar práticas sustentáveis no dia a dia", explicou ele, lembrando aos estudantes: "o planeta não precisa da gente, mas a gente precisa do planeta."
O passeio começou por um mirante, onde as crianças observaram as casas do antigo dono da fazenda, do administrador e um "terreirão" onde era feita a secagem dos grãos. Em seguida, após receberem a recomendação de andarem juntos para garantir a segurança e não tocarem em nada para manter a natureza intacta, eles seguiram para o Museu do Café, instalado em uma antiga tulha totalmente construída em madeira.
No local, as crianças se impressionaram com as práticas adotadas pela agricultura da primeira metade do século passado, quando imperavam queimadas e derrubadas de matas. "Hoje, essas práticas seriam consideradas crimes ambientais", ressaltou Ortiz, lembrando a todos que, atualmente, existem tecnologias que permitem produzir alimentos de forma mais sustentável.
As fotos da região na época da fundação da cidade também impressionaram as crianças, que espantaram-se com a afirmação de que, há menos de cem anos, Londrina era uma grande floresta. O modo de vida dos antigos trabalhadores da fazenda, exposto em imagens espalhadas pelas paredes da tulha, arrancou exclamações dos meninos e meninas.
Ortiz explicou aos estudantes, após a observação das imagens, que no tempo em que se plantava café na fazenda as crianças trabalhavam, fazendo até mesmo o árduo trabalho de colheita. "Em alguns aspectos, a nossa sociedade melhorou, porque sabemos que lugar de criança é na escola", disse.
A segunda parte do passeio foi uma trilha pela mata do local, uma área de preservação permanente e de reserva legal. Além de contemplar a natureza, as crianças aprenderam noções de preservação ambiental a partir da investigação da presença dos seis elementos do ambiente: água, solo, ar, fauna, flora e homens. A expectativa, inclusive, era que todos pudessem ter a surpresa de encontrar animais pelo caminho, mas o alarido dos estudantes intimidou os moradores do local.
De forma didática, o monitor abordou assuntos como a oferta de água potável no planeta e a importância das florestas, definidas como o "ar-condicionado" da Terra. Ao final, as crianças puderam conferir a nascente de um rio, o que causou suspiros de admiração.
A professora Sandra Regina dos Santos de Luca enfatizou a importância de mostrar na prática os conceitos que os alunos estudaram durante o ano. "A escola está desenvolvendo um projeto de horta e acredito que o conteúdo abordado no passeio vá ajudar", explicou. No retorno para a sala de aula, ela pretendia, também, abordar a questão do consumismo exagerado e as consequências da interferência do homem na natureza. "Também foi interessante conhecer aspectos históricos de Londrina, porque neste ano estudamos a imigração", contou.
Para Sueli de Araújo Lauro, outra professora que acompanhava a turma, faz muita diferença trabalhar determinados conteúdos com as crianças quando eles conhecem o tema na prática. "Os passeios são sempre bem aproveitados", considerou.

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