CONSCIÊNCIA AMBIENTAL - 'Caravana Ecológica' promove reflexão sobre tráfico de animais
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segunda-feira, 16 de junho de 2014
Ana Paula Nascimento<br>Reportagem Local 
Realizado desde 2000, o projeto Caravana Ecológica tem levado informação e consciência ambiental a centenas de crianças e caminhoneiros de todo o País. Protagonizado por atores formados pela Escola Municipal de Teatro (EMT), da Fundação Cultural e Artística de Londrina (Funcart), a iniciativa utiliza a linguagem teatral para motivar a transformação social. No dia 4 de junho antecedendo o Dia Mundial do Meio Ambiente, comemorado no dia 5 foi a vez dos alunos da Escola Municipal Ruth Lemos, de Londrina, receber a visita dessa trupe especial que veio para falar de um assunto muito sério: o tráfico de animais silvestres. Depois de se apresentarem em diversas escolas londrinenses, o projeto percorre, até o fim do ano, cidades como Curitiba (PR), Itabaiana (SE), Aparecida (SP), Guarulhos (SP), Itajaí (SC) e Garibaldi (RS). A circulação do projeto conta com a parceria da Volvo e da revista Carga Pesada.
Sentados no pátio da escola, os alunos prestaram atenção e se divertiram com a abordagem lúdica do tema. Como cenografia, um caminhãozinho que acaba se tornando um cenário móvel criativo e dinâmico. Em cena, os atores Priscila Souza e Adalberto Severiano dão vida aos personagens Raimundo e Raimundinha, que relatam a história de dois amigos caminhoneiros que se deparam com a triste realidade do tráfico de animais quando um deles acaba se rendendo a essa prática criminosa e é pego pela polícia. Ainda muito comum no País, esse crime é conhecido pelas práticas cruéis, como mutilar os animais para que possam ser acondicionados em lugares inusitados como canos de PVC e fundos de mala - para driblar a fiscalização e reduzir a capacidade de reação do animal. Mesmo que o animal fique machucado, a intenção é que o material genético seja preservado e chegue ao seu destino final.
E os números são alarmantes: a captura e venda de animais de forma ilícita é o terceiro tipo de tráfico que mais movimenta dinheiro no mercado negro, perdendo apenas para o comércio de drogas e armas. Os criminosos chegam a cegar as araras, embebedar os micos e a quebrar as quatro patas de onças, sendo que apenas um em cada dez animais silvestres capturados sobrevivem aos maus-tratos. Na montagem é traçado um histórico do tráfico de animais, desde as primeiras espécies que eram levadas para a Europa na época do descobrimento até a prática criminosa nos dias atuais.
"É um assunto sério, mas achamos que deve ser trabalhado nas escolas também. Abordamos de uma forma leve, mas a essência da mensagem é transmitida. Até por isso optamos por fazer um espetáculo mais curto, com duração média de 15 minutos, para que as crianças não se dispersem", explica Silvio Ribeiro, diretor do espetáculo e coordenador da EMT. "Como também apresentamos em locais de circulação como portos, postos de gasolina e festas de caminhoneiros, nesse formato fica mais fácil prender a atenção dos espectadores nesse tipo de ambiente", acrescenta. Segundo Ribeiro, é comum os caminhoneiros se sensibilizarem e compartilharem situações vivenciadas na vida real e levarem os filhos para assistir à montagem
A atriz Priscila Souza destaca a importância desse trabalho atingir as pessoas que convivem mais diretamente com o tráfico: "e realmente eles dão depoimentos pessoais após a apresentação", observa. Já o ator Adalberto Severiano ressalta que apesar da temática da montagem não utilizar uma linguagem infantil, ela "chega de uma forma tranquila para as crianças, com toda a mágica que o teatro pode fazer".
A diretora da escola, Ivanete da Silva Teixeira, aprovou a iniciativa: "É muito legal e isso ajuda a variar a rotina escolar, promovendo um maior movimento no ambiente e ampliando o repertório cultural dos alunos".
Ao longo de duas décadas de existência, a Fundação Cultura Artística de Londrina (Funcart), procura realizar, paralelamente aos projetos estéticos, iniciativas que usam a arte como instrumento de transformação social. Já foram montados espetáculos com o apoio da Secretaria da Mulher, da Secretaria da Educação, além de instituições filantrópicas e de empresas públicas e privadas.
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