Conquistando a América
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segunda-feira, 23 de junho de 2008
Francismar Lemes<br> Reportagem Local 
Para o violinista londrinense, Matheus Garcia, 17 anos, o ano tem duas estações: Paganini (1782-1840) e Bach (1685-1750). O mito italiano é os dias virtuosos. O alemão, o maior expoente do barroco em que a música se transformava em poesia, os mais serenos.
Paganini e Bach - a alegria e a serenidade - se encontram nos sentimentos do londrinense que se prepara para uma longa temporada de cinco anos de estudos na Universidade do Missouri (EUA) ao vencer um concurso mundial, que o premiou com uma das duas bolsas de estudos oferecidas pela instituição. Além de Garcia, uma estudante coreana conquistou a premiação.
A seleção foi no início do ano, através de vídeos de um solo do músico, durante um concerto da Orquestra Sinfônica da Universidade Estadual de Londrina (Osuel), no ano passado.
Antes de partir, em agosto, Garcia encontra-se com o gênio, Bach, no último concerto em Londrina, hoje, às 19h, no Colégio Mãe de Deus, antes de embarcar para os estudos nos EUA. No programa ainda estão Mozart (1756-1791) e Lalo (1916-2005), que dividem o palco com a mãe de Garcia ao piano, Luciana Gastaldi.
O londrinense começou a estudar violino com apenas quatro anos de idade, no Colégio Mãe de Deus. ''O meu irmão, Thales, estudava violino. Eu também queria aprender, insistindo com a minha mãe para que me colocasse na aula. Thales acabou parando e eu dei continuidade aos estudos'', lembra Matheus, que terá que suspender o curso de Engenharia Elétrica para ir ao encontro dos dias quentes e frios da música na América.
Desde os cinco anos, Matheus é aluno do músico Evgueni Ratchev, spalla e diretor artístico da Orquestra de Câmara Solistas de Londrina. ''Todas as pessoas fazem algo para desestressar, viajando do cotidiano. A música para mim é o melhor caminho para isso'', compara Matheus, destacando que, no início dos estudos de música, os amigos não acreditavam muita na sua opção.
Com 10 anos de idade, tudo mudou ao vencer o Concurso Ernesto Mahle. ''Hoje, os amigos acham legal. Mas também tenho outras influência. Ouço muita música pop. É difícil dizer qual o compositor clássico que mais admiro. Cada um tem o seu temperamento. Paganini gosto de ouvir, quando estou num dia mais agitado e Bach nos mais calmos. Gosto muito de chorinho e toco com um grupo de música Celta. Espero poder fazer um trabalho como o da Vanessa-Mae, uma violinista que mistura várias influências'', afirma Matheus.
Os EUA surgem como uma oportunidade de poder estudar numa das melhores escolas de música, mas também de não se afastar da técnica de Ratchev, o seu mestre no Brasil. ''Na universidade que vou estudar, a técnica ensinada será a mesma, caso contrário, teria que, praticamente, começar tudo do zero'', comenta o músico, que sonha em um dia também se tornar compositor. Na bagagem, Matheus leva também um violino novo de sete cordas, instrumento com um som mais grave e muitos recursos.
As horas de estudo de música sempre foram divididas com outras atividades, como basquete, futebol, judô, taiko, mai-tai, mas o violino sempre venceu na preferência do músico. ''Uma vez, o basquete travou os meus dedos. O Evgueni perguntou o que eu estava fazendo. Quando contei que estava jogando basquete, disse para parar'', lembra o músico.
Enquanto não embarca, Matheus aproveita o tempo para se despedir dos amigos londrinenses, esperando pelas novas companhias, Paganini, Bach, Mozart, entre outros compositores, que o esperam na América.


