Agência Estado

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Fernanda Montenegro, Bibi Ferreira e Marília Pêra: três estrelas de primeira grandeza vão atuar em espetáculos diferentes

Marcado pela dramaturgia de Brecht e Chekhov, o ano teatral de 1998 apresenta uma rara e fascinante conjunção de estrelas. Como havia muito não ocorria em nossos palcos, estarão atuando simultaneamente as três maiores atrizes brasileiras: Bibi Ferreira, Fernanda Montenegro e Marília Pêra. Não na mesma peça, seria pedir demais, mas a simples presença de cada uma delas garante a qualquer espetáculo o rótulo de imperdível.
Marília Pêra viverá a prostituta Geni em ‘‘Toda Nudez Será Castigada’’, de Nélson Rodrigues, com direção de Moacyr Góes. Bibi Ferreira dirige e atua com Gracindo Júnior em ‘‘Brasileiro, Profissão: Esperança’’, um musical sobre a vida de Dolores Duran e Antônio Maria, com roteiro de Paulo Pontes. Fernanda Montenegro será dirigida por Daniela Thomas em ‘‘A Gaivota, de Chekhov’’.
A Gaivota não será a única montagem do autor russo em nossos palcos. O interesse pela dramaturgia de Anton Chekhov (1860-1904) será uma das características da cena teatral neste ano. Nada menos do que seis montagens de seus textos vêm sendo preparadas.
A explicação para o fenômeno talvez esteja no fato de Chekhov ter vivido justamente num fim de século, como agora, e às vésperas da Revolução Russa. A imobilidade é a principal característica de seus personagens, perplexos diante da ruína de valores num mundo em profunda transformação. Qualquer semelhança com nosso fim de milênio...
Além de ‘‘A Gaivota’’, vêm aí ‘‘As Três Irmãs’’, ‘‘Tio Vânia’’ e ‘‘Ivanov’’. Tio Vânia merecerá duas montagens: uma carioca, dirigida por Moacir Chaves, com Pedro Paulo Rangel, e outra paulistana, tendo Renato Borghi como protagonista. As atrizes Cláudia Abreu e Louise Cardoso estarão sob direção de Enrique Diaz em ‘‘As Três Irmãs’’, texto que também será dirigido por José Possi Neto, com Betty Gofman e Ana Beatriz Nogueira no elenco.
O excelente grupo Tapa completa essa espécie de panorama espontâneo da obra do dramaturgo com uma belíssima encenação de ‘‘Ivanov’’, como pôde comprovar quem assistiu à pré-estréia do espetáculo no fim do ano, no Centro Cultural Monte Azul.
BrechtEste é também o ano do centenário de nascimento do dramaturgo alemão Bertolt Brecht e montagens de suas peças certamente farão parte das comemorações programadas por todo o País. O Instituto Goethe e o Sesc são algumas das instituições que prometem vasta programação em torno de sua obra. Além das montagens patrocinadas por instituições, diretores planejam encenar Brecht, entre eles Ulysses Cruz, com ‘‘O Círculo de Giz Caucasiano’’, e Domingos de Oliveira, com ‘‘A Alma Boa de Setsuan’’.
A vitalidade de nossas companhias de repertório pode ser considerada outra marca do ano que se inicia. O grupo Tapa não se limita a Chekhov e apresenta ainda um panorama Vianinha, com três peças do autor. Trabalhos como ‘‘O Avarento’’, de Moliere, do grupo Ornitorrinco, dirigido por Cacá Rosset, que terá apresentações grátis no Sesi, ou IEP, de Luís Alberto de Abreu, com a Cia. de Artes e Malasartes, certamente comprovarão a maturidade de nossas companhias, além de propiciar bom divertimento, é claro.
E sempre vale atentar para o trabalho de nossos grandes diretores. Antunes Filho ensaia nova peça, mas faz segredo da temática. Não importa. Em se tratando de Antunes, trajetória e talento são garantia de bom espetáculo. O inquieto Zé Celso, entre outros projetos, encena texto de sua autoria sobre Cacilda Becker e Gabriel Villela prepara ‘‘O Pagador de Promessas’’, de Dias Gomes, além de manter em cartaz o belíssimo ‘‘Morte e Vida Severina’’, de João Cabral de Melo Neto.
Gilberto Grawronski trará a São Paulo o inquietante espetáculo ‘‘Na Solidão dos Campos de Algodão’’, de Koltes. No quesito polêmica, será um ano ‘sem’ Gerald Thomas, que monta ‘‘O Balcão’’, de Jean Genet, no La Mamma de Nova York e planeja não voltar ao Brasil, e ‘com’ Ruth Escobar, que promete trazer o melhor do teatro oriental para o Festival Internacional de Teatro deste ano. E há mais, muito mais. Preparem a voz para o grito de ‘bravo’.

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