Na escola Prof. Carlos Zewe, o cinema está sendo usado transversalmente nas aulas, compondo temas de real interesse das crianças
Na escola Prof. Carlos Zewe, o cinema está sendo usado transversalmente nas aulas, compondo temas de real interesse das crianças | Foto: Fotos: Saulo Ohara



Apesar do cinema fazer presença na sala de aula, essa história está longe de ser uma ficção. Na Escola Municipal Prof. Carlos Zewe Coimbra, na zona leste de Londrina, todos os 300 alunos estão aprendendo as lições transversalmente com o universo cinematográfico.

Assim como um filme traz um início, meio e fim, os estudantes idealizaram um tema no começo do ano, estão desenvolvendo-o ao longo dos semestres e em dezembro, o projeto será concluído com um evento.

Essa metodologia de incorporar temas de real interesse dos alunos com currículo é proposta pelo programa social "A União Faz a Vida", da Instituição Financeira Cooperativa Sicredi.

"O objetivo é trazer cooperação e cidadania no dia a dia das escolas, pois os professores também são envolvidos com uma formação contínua. A ideia é que todos trabalhem em conjunto na construção do conhecimento", explica Gisely Almeida, assessora de Programas Sociais da Sicredi União PR/SP.

Atualmente, três escolas participam do programa em Londrina. Uma delas é a escola Carlos Zewe, onde atua a professora do 3º ano, Adriana Nascimento de Brito Heler.

"Todos os alunos gostam de filme e querem falar sobre isso. Então, existe uma boa aceitação da turma quando contextualizamos com o conteúdo pedagógico. Na matemática, por exemplo, fizemos uma entrevista com os pais sobre os gêneros de filmes que mais gostam e a partir das informações, montamos um gráfico de barras", comenta.

No 5º ano, a professora Karina Mafia Furtado, além de aplicar a temática no desenvolvimento e interpretação de textos, assim como nos exercícios de raciocínio lógico, utilizou a comédia romântica "De Repente 30" (2004) para abordar o protagonismo da mulher na sociedade.

"Depois do filme, duas mulheres de 20 e 40 anos, vieram conversar com os alunos para contarem um pouco das suas experiências de vida. Foi um jeito de trabalhar um assunto importante, mas de forma diferenciada. Foi ótimo", conta.

A coordenadora pedagógica da escola, Sarah Iensue Viani, diz que um projeto de cinema já vinha sendo trabalhado com alunos do 5º ano. "Mas o interesse no assunto passou a ser revelado pelos demais estudantes que sugeriram difundir o tema para toda a escola", ressalta.

De acordo com a diretora Adriana Fátima Gonçalves Machado, quando os estudantes são estimulados com um conteúdo que eles mesmos escolheram, o aprendizado flui de forma mais prazerosa.

"Já tivemos o Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) mais baixo do município, com 3.2. Mas hoje, já subimos para 5.8 e um dos fatores que contribuiu para essa melhora foi a adaptação da metodologia, por meio dessa parceria com o Sicredi União", salienta.

O programa "A União Faz a Vida" acontece em âmbito nacional e prioriza escolas da rede pública de ensino. Na área de atuação da Sicredi União PR/SP, que abrange as regiões norte e noroeste do Paraná e centro leste paulista, são envolvidos mais de 22 mil estudantes e 1.902 professores em 134 escolas. Em Londrina, ele é aplicado desde 2013.

No fim do ano, o projeto da escola Prof. Carlos Zewe vai terminar com um filme: "70% dos alunos nunca foram ao cinema", diz a diretora Adriana Fátima Gonçalves Machado
No fim do ano, o projeto da escola Prof. Carlos Zewe vai terminar com um filme: "70% dos alunos nunca foram ao cinema", diz a diretora Adriana Fátima Gonçalves Machado



Interdisciplinar
De acordo com a assessora Almeida, o programa é como uma rede de compromisso e o ponto de partida da metodologia são as expedições investigativas. "A proposta é ir além dos muros da escola, percorrendo a comunidade, museus ou até mesmo trazendo pioneiros para contarem histórias. O importante é que o professor prepare um ambiente que desperte a curiosidade do aluno", explica.

Após essa experiência, uma roda de conversa é montada para juntos, definirem um tema do projeto que será integrado ao currículo. "A partir daí, a escola trabalhará a interdisciplinaridade. Todas as disciplinas devem estar linkadas a esse projeto e para isso, os professores são habilitados para poderem aplicar a metodologia", afirma.

Além disso, uma vez por mês o corpo docente recebe as assessorias pedagógicas que acompanham os projetos e tiram as dúvidas do programa. "É importante porque a gente precisa aprimorar nossa prática constantemente. Para mim, um destaque do programa é a autonomia que temos para trabalhar. A nossa escola tem limitações tantos dos alunos quanto dos familiares e por isso, nosso trabalho tem que ser sempre adaptado", diz a professora Furtado.

Ao final do ano, o projeto é encerrado com um evento pensado também pelos alunos e educadores. Na escola Carlos Zewe, essa história que começou no início do ano vai terminar no cinema. "Cerca de 70% dos nossos alunos nunca foram ao cinema e nosso desejo é poder proporcionar esse passeio", aponta a diretora.

Serviço: Para participar do programa "A União Faz a Vida", as escolas devem entrar em contato com a coordenadora local, vinculada à Secretaria Municipal de Educação.

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