CONHECIMENTO - Pelo prazer da leitura
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segunda-feira, 26 de abril de 2010
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
No século passado o escritor Monteiro Lobato revolucionou o mercado editorial brasileiro ao criar uma produção literária voltada ao público infanto-juvenil com temas genuínos da nossa terra, criatividade e senso político. Tratando as crianças com o respeito que elas merecem, tem conquistado até hoje uma legião de fãs. Em homenagem ao dia do seu nascimento 18 de abril foi instituído o Dia Nacional do Livro Infanto-Juvenil e muitas escolas brasileiras aproveitaram a data para celebrar um dos nossos maiores escritores. Na última sexta-feira, dia 23, o Dia Mundial do Livro, que presta homenagem à data de nascimento de vários autores estrangeiros, foi um motivo a mais para incentivar a leitura desde a infância.
Na Escola Municipal Vitório Franklin, em Rolândia, o projeto Era uma vez...o Dia da Troca marcou as comemorações em prol da leitura envolvendo alunos de 1ªà 4ªsérie. Realizado há três anos, todo bimestre os alunos trazem livros que gostam ou gibis de casa que serão trocados por outros entre os colegas. Neste ano, a direção da escola decidiu organizar um evento festivo para reforçar a importância do Dia da Troca. É uma forma de darmos mais incentivo aos alunos. Se não for assim, eles acabam ficando desmotivados e até esquecem de trazer os livros para trocar, comenta a diretora Maria do Carmo Ferro Campiolo.
Em um trabalho que envolveu as disciplinas de artes, literatura, educação física e informática, os alunos puderam se aprofundar no conhecimento sobre a vida e a obra de Monteiro Lobato. Nas aulas de informática da professora Anamália Negrão, eles partiparam de jogos pedagógicos sobre os livros do escritor. Em artes, com a orientação da professora Edna Sueli Nagatani, a confecção artesanal de livros resultou em belos exemplares, com desenhos e textos produzidos pelos próprios alunos.
Em uma releitura de O Anjinho da Asa Quebrada, a maioria desenhou o anjinho abençoando o planeta Terra. Em outro trabalho, colagens e desenhos sobre personagens preferidos mostraram como é forte a influência dos desenhos televisivos japoneses na imaginação das crianças. E em Notifocas, uma história coletiva sobre uma cobra que adora noticiar fofocas demonstrou a criatividade infantil.
Na abertura do evento, todos assistiram à exibição de um histórico sobre as versões para TV do Sítio do Picapau Amarelo, com explicações dos alunos caracterizados de personagens. A adaptação mais conhecida e exportada para o mundo todo foi a da Rede Globo, de 7 de março de 1977 a 31 de janeiro de 1986, sobretudo para países de língua portuguesa.
Em seguida, uma apresentação de dança ensaiada pela professora Adriana Chiconato em homenagem à personagem Emília a espivetada boneca de pano falante encantou a plateia formada por mais de 300 alunos do período da tarde.
Após a performance, as alunas vestidas de Emília distribuíram aos estudantes saquinhos com balas para reforçar a ideia do doce sabor da leitura. Dentro da embalagem, uma citação retirada do livro A Reforma da Natureza aborda a ideia sugerida pela Emília de que os livros pudessem ser comestíveis para poder entrar nas casas dos sábios e dos analfabetos.
Motivados e animados, não demorou para que os alunos começassem a trocar os livros, organizados conforme a série em mesas dispostas no pátio da escola.
Marcela Gonçalves Balbo, 9 anos, se empolgou com um livro sobre Santos Dumont: Pelo personagem, conhecido como o pai da aviação e pela capa, acho que vai ser uma história divertida e interessante, afirma. Ana Clara Luz, 7 anos, escolheu 101 Dálmatas. Já assisti ao filme, mas nunca li a história. No ano passado, esqueci de trazer os livros no dia da troca, mas agora estou mais organizada, ressalta. Cássia Midori Abe Horimouti, 9 anos, estava feliz com seus dois livros (já que doou dois também) um gibi do Smilinguido e um livro do Ziraldo. Ler é muito legal e sempre participo do dia da troca. É um jeito de aprender mais, recomenda.
Na avaliação da professora Cláudia Poppi, de literatura, a iniciativa de trocar os livros tem conseguido cumprir o objetivo de socializar a leitura de uma forma mais lúdica. Incentivar a leitura é um desafio para todas as escolas e realmente os nossos alunos estão mais motivados.


