CONHECIMENTO - Literacia: conexão, diálogo e liberdade
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segunda-feira, 15 de outubro de 2012
Ana Paula Nascimento <br> Reportagem Local 
Você já ouviu falar em literacia ou letramento? Derivado do literacy, em inglês, o termo vem sendo amplamente utilizado desde a década de 80 - a partir do boom das novas tecnologias - dentro do conceito de domínio das informações e a capacidade de usá-las, com intenções e sentidos, para agir na sociedade, com possibilidade de intervenção, o chamado empoderamento.
Termo ainda desconhecido pela maioria, ''Literacia: conexão, diálogo e liberdade'' foi o tema central escolhido para orientar os artigos científicos do III Congresso Virtual Interdisciplinar Marista, que envolve os alunos do nono ano da rede que possui 16 escolas pelo Brasil; os integrantes das unidades sociais também podem participar.
Cada escola pode enviar cinco trabalhos que são divulgados no site da rede (colegiosmaristas.com.br/londrina). Uma publicação impressa com todos os trabalhos finalistas também é produzida e distribuída para bibliotecas.
Escritos em grupo, os artigos dos alunos devem respeitar os padrões formais acadêmicos; nesta edição os participantes também deveriam produzir um trabalho audiovisual (slide, apresentação em Power Point, revista virtual, documentário, animação). ''Esse produto tecnológico foi algo bem interessante até como forma de mostrar que a internet não é só hobby; é uma ferramenta que pode transformar a sociedade, estar a serviço da educação'', ressalta a coordenadora pedagógica Raquel Calil Ruy.
Os temas das edições anteriores foram astronomia e biodiversidade. Cada escola tem que fazer uma pré-seleção dos melhores trabalhos. Os artigos são analisados por uma banca formada por professores da PUC e Universidade Federal de Brasília. ''Podíamos escolher alguns 'subtemas' e dentre eles estudamos as 'representações do mundo e produção de identidades''', explica Raquel.
Trabalhado de forma interdisciplinar, o projeto ainda envolveu pesquisa e texto coletivos sobre os mais diversos assuntos. Após o trabalho inicial de entedimento do conceito, que incluiu enquete com funcionários, alunos e professores sobre o conceito de literacia, os estudantes tiveram que decidir os assuntos a serem pesquisados.
Clássicos da literatura como O Pequeno Príncipe e Os Miseráveis tiveram suas ''entrelinhas'' estudadas, como a crítica ao mundo dos adultos e à injustiça do poder judiciário das obras respectivas; o poder das composições musicais como forma de protesto na ditadura passou a ser melhor compreendido e também resultou em um vídeo bem interessante; um grupo também aprendeu a fazer a ''leitura'' de imagens fotográficas famosas - como a da ''Menina Afegã'', de Steve McCurry, de 1984 - e produziu uma revista eletrônica. Já outro grupo fez uma pesquisa sobre tatuagens observando que essas marcas também podem representar signos de indentidade.
''No meu caso, achei muito interessante esse trabalho, pois descobri muitas coisas. Pesquisar sobre as fotos me deu uma nova visão de mundo e aprender a escrever um artigo científico vai me ajudar no futuro'', observa a aluna Marília Cavalheiro. Aliás, escrever um texto coletivo também parece que foi um desafio comum entre eles. Já a aluna Melissa Guimarães, integrante do grupo da literacia na música, destaca a importância de compreender algo que possa ser usado no seu dia a dia e do quanto os compositores na época da dutadura eram ''sujeitos literatos''.
Orientador geral dos grupos de trabalho, o professor Nilson Douglas Castilho, da disciplina de língua portuguesa, lembra que no começo os alunos achavam que o termo literacia se relacionava à literatura e que gradativamente foram compreendendo o conceito que envolve a capacidade de reter conhecimento e poder usá-lo. ''Eu me surpreendi com a qualidade dos trabalhos e com certeza agora o conceito ficou muito mais concreto'', afirma.
Denominada pela Organização das Nações Unidas como a ''Década da Literacia'', o período de 2003 a 2012 foi estabelecido com o objetivo de aumentar o nível de ''literacia'' e, com isto, empoderar as pessoas. Na declaração da instituição, a comunidade internacional reconhece que a promoção da literacia é de interesse de todos, como parte dos ''esforços pela paz, respeito e trocas do mundo globalizado''.
Considerada um direito humano, a literacia está diretamente relacionada ao acesso à educação, ainda um grande desafio para a humanidade. Na escala global, um em cada cinco adultos não lê e não escreve. E, de acordo com as últimas estimativas, 776 milhões de pessoas são analfabetas, sendo dois terços dessas, mulheres. Além disso, 67,4 milhões de crianças estão fora das escolas.


