O planeta mais próximo do Sol é necessariamente o mais quente? De que são compostos os anéis de Saturno? E quantas luas tem o planeta Marte? Alguns desses questionamentos são comuns entre as crianças quando o assunto é astronomia e astronáutica e com o incentivo da Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA), já em sua 14 edição, a curiosidade dos alunos está ficando cada vez mais aguçada. Ponto a mais para os estudantes, que também estão tendo a oportunidade de ampliar o conhecimento sobre uma área da Geografia que nem sempre é tão aprofundada.
Na última sexta-feira, milhares de alunos de todo o Brasil participaram das provas da OBA, que são divididas em quatro níveis conforme a série escolar. No Colégio Mãe de Deus, em Londrina, a expectativa era geral entre os alunos do fundamental 1, que junto com os do fundamental 2 e do ensino médio participam da avaliação há cinco anos.
''A organização da OBA nos comunica com antecedência os conteúdos que serão cobrados na prova e, em alguns casos, temos que adiantar o que havíamos planejado para o decorrer do ano, mas é um esforço que vale a pena'', afirma a coordenadora Heloisa Regina Dorthe Rampazzo Rockenbach, do fundamental 1.
Com a mobilização de toda escola, durante quase dois meses, a coordenadora conta que os alunos ficam mais motivados a fazer pesquisas na biblioteca, elaborar cartazes sobre o assunto nos murais e adoram as aulas sobre astronomia realizadas no laboratório de Ciências.
''Até a Hora do Conto, que acontece uma vez por semana, é voltada para a temática de astronomia, na preparação para a olimpíada'', diz Heloisa. ''Isso ajuda a ampliar o repertório dos alunos, principalmente sobre assuntos atuais, como a importância dos recursos naturais. Provoca-se uma importante reflexão e acredito que a olimpíada ajuda a despertar novos cientistas'', acrescenta.
Questionada se o estudo sobre o universo chega a gerar dúvidas existencialistas por parte dos alunos, ela pontua que pela instituição ser católica a orientação dada é que o ''universo é criação de Deus e que os desastres naturais que acontecem são consequência da ambição do homem''.
No laboratório de Ciência, a animação era geral entre os alunos enquanto observavam atentamente as explicações da professora Silvia Guilhen Galieta Tait. Com o auxílio da Placa do Sistema Solar e do Instrumento de Rotação, compreender os movimentos de rotação e translação fica mais fácil. ''O que eles mais tiveram dificuldade em estudar foram as constelações e como identificá-las'', comenta Silvia.
A aluna Isadora Bussolaro Viana, 9 anos, no ano passado participou pela primeira vez da olimpíada e ficou em primeiro lugar entre todos os alunos do fundamental 1. ''Não achei a prova difícil e acho que esse ano vou me sair bem de novo. E o interessante é que Geografia nem é a minha disciplina favorita; a que mais gosto é Matemática'', avalia.
Medalha de ouro em 2009 na OBA e 3º lugar do Paraná, em 2010, na Olimpíada Brasileira de Física, Glória Vicente de Rezende, 14 anos, considera que o colégio poderia se dedicar mais ao tema de astronomia durante o ano todo. Bruna Souza Esteves, 15 anos, que já conquistou medalha de bronze na OBA, concorda que a prova a motivou a estudar mais. Já Giovanna Sitta, 14 anos, medalha de bronze em 2010, lembra que uma das coisas mais legais foi aprender a reconhecer a posição das estrelas. ''A prova da OBA exige bastante interpretação de texto, mas somos bem preparados''.
E para aqueles que ficaram curiosos pelas respostas dos questionamentos iniciais do texto, vale lembrar que Mercúrio é o planeta mais próximo do Sol, mas o mais quente é Vênus; os anéis de Saturno são compostos de rocha e gelo e o planeta Marte tem duas luas.

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