É significativo que este décimo primeiro dos filmes gerados a partir da série tenha como título simplesmente ''Star Trek'' (confira a programação de cinema na página 2), como se ele fosse o primeiro. Pois é isto precisamente que a aventura quer ser. A primeira dirigida a uma nova geração de consumidores, para quem a veneranda marca registrada criada por Gene Roddenberry não significa nada, especialmente em vista do fracasso das mais recentes produções no começo deste século (''Star Trek: Enterprise'' e ''Star Trek: Nemesis'').
Para relançar a debilitada Enterprise e sua tripulação, os donos da franquia convocaram o mais bem-sucedido criador de séries televisivas dos últimos anos, J.J.Abrams - Mr. Lost em pessoa, alguém aliás nada perdido... - e lhe encomendaram uma missão digna de Kirk & Cia: conquistar novas multidões ou morrer. Fãs, fanáticos, simpatizantes, simplesmente tolerantes e detratores, eis aqui então a nave da ressurreição, ''Star Trek 11''. Perdão, Star Trek simplesmente...
Abrams trouxe a bordo sua própria tripulação, à frente Roberto Orci e Alex Kurzman, que já tinham escrito para ele o roteiro das séries ''Alias'' e ''Fringe'', além de ''Mission Impossible III'', seu primeiro filme como diretor. Conseguiu o trio dar nova vida à velha espaçonave? Os detentores dos direitos nem esperaram a resposta das bilheterias (que deve ser explosiva a partir deste fim de semana de estreia mundial), e já está em marcha uma nova sequela. Sequela da prequela, entenderam?
Como está em moda ultimamente (vide ''Batman Begins'' e ''X-Men Origens''), para refundar o mito esse novo Star Trek retrocede até a origem. Questão somente de permitir que uma nova geração de seguidores arranque do marco zero. A julgar pelo filme, o portal das estrelas está de novo desentulhado e escancarado para o surgimento de uma nova legião de trekkies.
A ideia de regresso à primeira fonte é levada aqui ao extremo: a cena inicial narra o nascimento do capitão Kirk, ao mesmo tempo em que seu pai é assassinado. Corre o século 23, e faltam uns vinte anos para que um insolente James Kirk (o promissor Chris Pine) conheça um Spock já hiperlógico (Zachary Quinto) e os demais tripulantes da S.S. Enterprise. Algo mais une o futuro capitão Kirk e Spok, o vulcano de orelhas afiladas, além das diferenças entre ambos: é a vingança contra o vilão Nero (Eric Bana, o Incrível Hulk de Ang Lee), imperador dos romulianos e responsável pela morte do pai de Kirk.
A equipe de produção optou por manter as características exteriores da série (rostos de pedra, jargão tecno-espacial, música pomposa, aqui de Michael Giachino) e substituir subtextos filosóficos por adrenalina galáctica, efeitos especiais e um e outro toque humorístico proporcionado pelo fanfarrão Kirk e pelo comediante britânico Simon Pegg no papel de Scotty.
Graças ao velho truque das viagens no tempo, o septuagenário Leonard Nimoy/Spock termina dialogando com sua versão jovem, a um metro e cinco décadas de distância. E por conta mesmo dessas digressões einsteinianas, a mãe de Spock surge como a linda quarentona Winona Ryder, aparentemente perdoada e reabilitada depois daquele episódio das roupas caras. E grátis, segundo ela na época. (C.E.L.J.)

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