Com nome de filósofo grego, o funcionário público aposentado Aristóteles da Silva, 64 anos, é o primeiro aluno cadastrado para as aulas de informática. Ele disse que não vê a hora de poder interagir através do computador. Leitor assíduo de revistas e jornais, Silva contou que sempre teve curiosidade para aprender a enviar e-mails para os links interativos que aparecem no final das revistas. Poder entender o 'mundo virtual', já tão familiar aos seus dois netos, de 7 e 3 anos, também está sendo um estímulo a mais. Aposentado há 12 anos, Silva tem consciência do processo de exclusão dos idosos. ''É estranho, mas devagar a gente vai ficando excluído, principalmente quando o idoso não procura acompanhar a modernidade. Tento me atualizar através da leitura e programas de televisão que tenham debates sobre assuntos variados'', disse.
Do tempo em que tinha os avós vivos, Silva relatou que era inadmissível não chamá-los com o pronome de tratamento ''senhor''. ''Essa maneira de se tratar pode parecer um pouco rígida atualmente, mas era por uma questão de respeito e sempre levávamos em consideração os bons conselhos que os avós nos davam. Hoje é mais difícil conquistar a atenção dos mais novos'', destacou Silva, que adora passear com os netos. ''É uma vantagem da maturidade ter aprendido sobre a importância de dar mais atenção às crianças'', comentou.
Quem também está animada com o curso é a professora de informática Eliana Elias Eid Campos, 32 anos, que irá coordenar as aulas, com o apoio de alunos da 8 série, que colaborarão como monitores. O material didático será da Microcamp.
Acostumada a dar aulas particulares de informática para idosos, Eliana destacou que o segredo do sucesso do curso é partir de situações do cotidiano do idoso e interesses individuais, como o envio de e-mails para netos, e planilhas de gastos do mês e como aprender a verificar o extrato bancário pela internet. ''A aprendizagem tem que ser significativa e também há um cuidado a mais na repetição das informações para ajudar na memorização.''
Ela admite que alguns idosos demonstram uma certa resistência à aprendizagem da tecnologia, mas que logo que obervam as vantagens da moderna ferramenta não querem mais abandoná-la. ''Um detalhe interessante é que muitos deles são muito bons em digitação, habilidade aprendida em máquina de escrever. No caso do computador, só é necessário aprender a digitar de uma forma mais leve, já que as teclas são mais macias'', ponderou.(A.P.N.)

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