CONHECENDO A NATUREZA Reflorestar para preservar a vida
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segunda-feira, 09 de março de 2009
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
Assim como os cílios são fundamentais para a proteção dos olhos, as matas ciliares - que não por acaso são denominadas dessa forma - são essencias para preservar a saúde dos rios. Nas margens fluviais esse tipo de vegetação serve de fonte nutricional aos peixes que se alimentam de frutos que caem nos rios, evita o assoreamento (depósito excessivo de sedimentos nos leitos dos rios que causa a perda de profundidade) e também funciona como barreira natural contra agrotóxicos.
Os olhos atentos de 120 alunos da 5 série do Caic Dolly Jess Torresin, do Jardim União da Vitória (Região Sul), acompanharam a palestra do geógrafo Saulo Gaspar, do Instituto Agronômico do Paraná (IAP), durante oficina sobre preservação ambiental realizada semana passada no Viveiro Municipal de Londrina.
Gaspar chamou a atenção dos alunos ao afirmar que uma árvore com copa grande chega a jogar diariamente cerca de 600 litros de água na atmosfera - um exemplo concreto do quanto as árvores são necessárias para a regulação da umidade relativa do ar.
Outro dado impressionante é que a natureza demora cerca de 400 anos para produzir 1 centímetro de solo, devido ao longo processo de decomposição das rochas, e em uma enxurrada cerca de 10 centímentros de solo são levados embora, isto é, o resultado de um trabalho ambiental de 4 mil anos.
Com dados comparativos, Gaspar pontuou que em 1990 o Paraná tinha apenas 7,58% da sua vegetação originária e depois de um trabalho intenso de reflorestamento, em 2000, a região já estava com mais de 24% de área verde. ''Devemos pensar em formas inteligentes de utilizar o solo e é admirável observar a capacidade de recuperação da natureza quando o homem não interfere nesse processo'', ressaltou.
Reflorestar, arborizar, abandonar áreas para a recuperação espontânea da vegetação, não fazer queimadas e colocar espécies vegetais em áreas pobres em termos de biodiversidade foram algumas das ações restauradoras ensinadas por Gaspar.
Os alunos também visitaram os canteiros do Viveiro e no final cada um levou para casa uma mudinha de acerola. Sob a supervisão do engenheiro agrônomo Paulo Roberto Guilherme, eles aprenderam que algumas mudas chegam a ser cultivadas por até dois anos antes de serem encaminhadas para o reflorestamento urbano. Guilherme convidou os alunos a serem os ''novos guardiões da natureza'', principalmente no bairro onde moram.
Com um sorriso no rosto e segurando a sua muda de acerola com carinho, a estudante Ana Paula Gonçalves, 12 anos, disse que gostou muito do passeio. ''Se não cuidarmos do meio ambiente vamos ficar sem vegetação e água limpa'', concluiu a aluna, que também admitiu que algumas vezes erra quando não joga o lixo nos locais adequados. ''É...isso também prejudica o meio ambiente'', ponderou.
O diretor do Caic, Amauri Pereira Cardoso, incentivou os estudantes a abraçarem a causa ecológica. ''Vamos pensar juntos em um projeto para ser desenvolvido no Caic. Um alvo pode ser o Vale do Cristal, que fica aos fundos da nossa escola, que tem um córrego poluído e precisa ser revitalizado'', afirmou Cardoso, que pretende envolver os grêmios estudantis nessa empreitada ecológica.
A professora de Ciências, Patrícia de Oliveira Rosa da Silva, aprovou a ideia e frisou que esse tipo de atividade prática, partindo de um contexto real, contribui muito para o aprendizado em sala de aula. ''A partir da evocação da memória das crianças sobre o passeio, vamos ampliar esse conhecimento.''
A presidente do Rotary Club de Londrina, Vania Galera, informou que desde 2004 a entidade está fomentando palestras sobre preservação ambiental com alunos de escolas de Londrina em parceria com o Viveiro Municipal. A atividade também teve apoio da Viação Garcia, que ofereceu o transporte para as crianças.


