Congresso da UNE rola na próxima semana
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sexta-feira, 08 de junho de 2001
Nelson Sato De Londrina 
Os rebeldes com causa batem ponto, a cada dois anos, nos congressos da UNE. É quando elegem uma nova diretoria, criticam as mazelas do ensino superior, protestam contra os governantes e se atacam mutuamente.
Eles voltam a se reunir de quarta-feira a sábado da próxima semana em Goiânia, no 37º Congresso da entidade. A expectativa é de que participem 7 mil universitários de todo o país, entre delegados com direito a voz e voto e observadores com direito a apenas participar dos debates.
A novidade será a realização simultânea de várias mesas de debate com a presença de intelectuais, artistas, parlamentares e dirigentes de universidades. Os temas a serem explanados são os mais variados incluindo crédito educativo, projeto neoliberal da era FHC, reforma universitária, globalização, transgênicos, políticas públicas para a juventude e hip hop e a voz da periferia.
A exemplo de edições anteriores, os estudantes deverão polarizar posições em torno de dois temas: o monopólio da UNE na expedição da carteira de meia-entrada e a forma de eleger a diretoria (uns querem manter o sistema atual com votos restritos aos delegados enquanto que outros pregam eleições diretas). A principal divisão, contudo, é de linha ideológica.
Desde que foi reestruturada em 1979, militantes ligados a partidos políticos disputam a diretoria. O PC do B (Partido Comunista do Brasil) teve maioria na entidade ao longo de toda a década de 90. Na UEL, um grupo de estudantes se reuniu na última quarta-feira para discutir as questões e os preparativos para a viagem.
Apesar de divergências internas, a maioria se opõe à atual diretoria da UNE, que estaria mais preocupada em gerir o dinheiro arrecadado com a carteirinha de meia-entrada do que mobilizar os estudantes. Para o aluno de Ciência da Computação, André de Souza Vieira, 24 anos, a entidade vive uma crise de representatividade. Tivemos muitas más gestões. Hoje a descrença em relação à UNE é igual aquela dirigida ao Governo diz.
Eleito recentemente para compor a diretoria da UPE (União Paranaense dos Estudantes), André é um dos delegados credenciados que irão ao Congresso da UNE. Há muitas causas para lutar continua ele. Tanto a UNE quanto os DCEs (Diretórios centrais de estudantes) e os C.As (Centros Acadêmicos) precisam descobrir e interferir nos interesses comuns que afetam a comunidade estudantil. Temos que recuperar o sentido da organização coletiva e devolver ao movimento a expressão que ele já teve.
Em Goiânia, a UNE prepara uma passeata gigantesca para o próximo sábado. A caminhada, intitulada Um Outro Brasil é Possível, vai contar com a participação dos estudantes reunidos e com as principais lideranças da oposição ao governo FHC. Está prevista ainda uma programação cultural e um espaço reservado aos CUCAs (circuito universitário de cultura e arte), que terá apresentações culturais, debates, oficinas e lançamento dos materiais da 2º Bienal da UNE incluindo CD, vídeo, textos literários e anais de ciência e tecnologia. Mais informações podem ser obtidas no site oficial da UNE (www.une.org.br).


