Confusão em Curitiba e festa no Litoral
Curitiba - Curitiba provou que pode ter um Carnaval burocrático. Os quatro dias de folia terminam sem ao menos apresentar a escola de samba do grupo especial vencedora. O resultado foi adiado porque a escola de samba Mocidade Azul acusa a rival Acadêmicos da Realeza de ter plagiado parte do samba-enredo do ano passado da escola carioca Beija Flor de Nilópolis. A Mocidade pede que as notas referentes ao quesito samba-enredo, sejam anuladas, o que reduziria a chance da Realeza garantir a primeira colocação. Sem saber o que fazer com a denúncia, os jurados decidiram adiar para a próxima semana a divulgação das notas que vão apontar a campeã. A princípio, a vencedora será conhecida apenas na terça-feira.
O presidente da Mocidade Azul, Altamir Lemos, promete levar o caso à Justiça, caso a Fundação Cultural de Curitiba não acate a denúncia de plágio. Não é justo, trabalhamos o ano inteiro para criar um enredo e essa escola (Realeza) copia uma música já existente, acusa. Lemos afirma que a sequência musical de Uma velha idéia para novos tempos, composta por Antônio Costa Filho, é idêntica ao enredo do ano passado da escola carioca.
Para provar a denúncia, Lemos já está providenciando que um CD com a gravação do enredo da Realeza chegue às mãos dos componentes da Beija Flor. Vamos enviar um disco amanhã (hoje) mesmo. Para ele, a confusão entre as duas
escolas não prejudica a imagem do Carnaval curitibano. Pelo contrário, afirma. Estamos tentanto moralizar a festa em Curitiba.
A Folha tentou entrar em contato com o compositor do samba-enredo da Realeza, mas ele não foi encontrado. Segundo a reportagem apurou, ele tem por volta de 50 anos e ficou muito abalado com a acusação. Ele está isolado, informou o secretário da Realeza, Paulo Roberto Sheunemann.
Sheunemann admite que há semelhanças entre os dois enredos, mas afasta qualquer possibilidade de plágio. A Mocidade vai ter que provar a acusação, caso não consiga vai ter que indenizar a Realeza por danos morais, enfatiza avisando que a Acadêmicos da Realeza vai (também) entrar com um processo contra a Mocidade.
Para o secretário da Realeza, a confusão prejudica sim a imagem do Carnaval curitibano, que este ano foi marcado por confusão. Das três escolas do grupo especial que disputavam o título de campeã, apenas a Mocidade e a Realeza, entre trancos e barrancos, continuam no páreo. A escola Bom à Beça atrasou para entrar na Avenida Cândido de Abreu e foi desclassificada. Segundo informações da Prefeitura, cerca de três mil pessoas asssisiram aos desfiles.
No Litoral, a confusão foi substituída por muita folia, somente na madrugada de domingo, cerca de 25 mil pessoas foram às ruas de Caiobá para ver a Caiobanda, Na segunda, foi a vez da Banda de Guaratuba, que tocou para cerca de 200 mil pessoas, segundo informações da Secretaria de Turismo. Na avaliação do comandante da sub-área de Guaratuba, Marcelo Figueiredo, o Carnaval no Litoral paranaense foi tranquilo. Apesar da grande quantidade de pessoas, as ocorrências não foram significativas, disse.
Ontem, a festa ainda imperava nas praias. A praia de Pontal do Paraná esperava reunir 40 mil pessoas para encerrar a festa. O mesmo número de pessoas era esperado também em Caiobá e Guaratuba, onde se concentravam os trios elétricos no Litoral.





