São Paulo - A liberdade da estrada e o conforto de casa. As duas coisas parecem impossíveis juntas, mas a combinação existe e chama-se motorhome. ''A principal vantagem é a mobilidade. Você não depende de reservas e ainda leva seu lar, com tudo arrumado, junto com você'', afirma o diretor da Associação Brasileira de Campismo (Abracamping), Luiz Edgar Tostes, sobre os veículos que são verdadeiras casas sobre rodas, com banheiro, cozinha, quarto e, às vezes, até banheira.
Ele trocou o trailer, seu parceiro de viagens desde 1972, pelos motorhomes em 1994 e, a partir de então, rodou o País inteiro, os Estados Unidos e a Europa a bordo dos veículos. ''Você pode parar o motorhome em qualquer lugar - desde que seja seguro. Se gostou, fica mais tempo. Senão, vai embora'', comenta. Segundo Tostes, os lares motorizados ajudam a aproximar as famílias. ''É um relacionamento diferente. A convivência é mais íntima'', conta.
O técnico em agrimensura Devair Scursel, de 50 anos, é outro apaixonado pelos veículos. ''Tenho motorhome há 11 anos. Antes, acampava em barraca e era meu sonho ter um'', afirma. Scursel diz já ter feito várias vezes o trajeto entre o Rio Grande do Sul e Pernambuco de motorhome e garante que nem pensa em viajar de outra forma. ''Vou para todas as praias que quero. É minha casa de praia com rodas'', brinca. Scursel é também diretor de eventos do grupo paulista Pé na Estrada, que reúne donos de veículos recreacionais (motorhomes e trailers). ''São 150 associados, mas nossos eventos chegam a atrair mais de 700 proprietários'', diz.
Comprar um motorhome, porém, não é um sonho ao alcance de todos. O mais barato seminovo vendido pela fabricante e revendedora Motortrailer (www.motortrailer.com.br), em Pirassununga, a 232 quilômetros de São Paulo, custa a partir de R$ 30 mil. Zero-quilômetro, o veículo mais em conta começa em R$ 240 mil. Por isso, uma boa alternativa é alugar - prática comum e tão fácil quanto locar um carro em países da Europa, da América do Norte e da Oceania.
Muitos brasileiros - inclusive a mulher do goleiro Júlio César, a modelo Suzana Werner - o fizeram para acompanhar a seleção durante a Copa na Alemanha. Mas há turistas, como o administrador de empresas Nelson Romanini Filho, de 51 anos, o empresário Ubiratan Barreto, de 57 anos, e a designer Patrícia Pinheiro, de 38, que bem antes do Mundial descobriram os motorhomes como uma maneira barata e confortável de viajar.
''Comemorei meu aniversário de 25 anos de casamento num camping de uma cidadezinha de Quebec'', lembra-se, com saudades, Romanini Filho, de sua viagem pela província canadense. Longe de achar o motorhome um trambolho, difícil de dirigir, ele conta que foi fácil conduzi-lo. Até encontrar vagas em estacionamento não era problema. ''Nos supermercados, há espaços específicos para motorhomes'', relata. O administrador e sua família se sentiram tão em casa no veículo que resolveram inovar na pequena cozinha. ''Fizemos um bolo no forno'', conta.
Barreto também ficou bem à vontade enquanto rodava pela Itália a bordo do lar sobre rodas que alugou. Em Santa Margarita Ligure, na badalada Riviera italiana, estacionou o motorhome à beira-mar e desfrutou de uma refeição mais do que privilegiada. ''Fiz meu espaguete, pedi emprestado um saca-rolhas num restaurante, abri um vinho e comi olhando o Mediterrâneo pela janela'', descreve. ''Em volta, só havia Ferraris estacionadas.''
Na Nova Zelândia, foi a mordomia dos campings onde parou que chamou a atenção de Patrícia durante a travessia de 20 dias pelas duas ilhas do país, feita ao lado da família e de amigos. ''Eles tinham quadras esportivas e até piscina com hidromassagem. Lá isso não é luxo, é o padrão'', afirma. O contato próximo com o meio ambiente - sem abrir mão do conforto - também deixou a designer fascinada. ''Dentro dos parques, havia lugares onde era possível parar o motorhome. O fato de carregar a casa com você faz com que possa ficar no meio da natureza.''

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