CONFLITOS METROPOLITANOS
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 25 de julho de 2000
Ranulfo Pedreiro De Londrina 
Imagine uma grande cidade. Prédios, pessoas apressadas, trânsito e uma relação de extremos. Nos ápices, a metrópole oferece aventuras em um carrossel de opções. Nos baixos, retrai em solidão e indiferença. A inconstância é retratada em Viver e o Amor na Cidade Grande, disco de Luiz Gayotto recém-lançado pela Dabliú.
Catarinense morando em São Paulo, Gayotto generaliza o convívio com centros urbanos. A abordagem não é estritamente paulistana e se encaixa em outras cidades. Nesse paralelo, cabem ritmos dançantes com respaldo eletrônico ou baladas acústicas melancólicas.
Tanto a dinâmica quanto o tema têm essa dialética de cidade grande, com momentos de expansão, alegria, turbulência. Ao mesmo tempo, existem momentos de calma, tristeza e solidão, comenta Gayotto, em entrevista por telefone.
O CD abre com Cidade Grande, faixa dançante que contrasta frontalmente com a consequente @ Solidão, uma balada acústica centrada no anonimato proporcionado pela Internet. Aqui, Gayotto aparece ao violão, instrumento que utiliza para compor. O hit do disco é Pelo Avesso, destacado em duas versões.
O estilo é um amálgama de influências do rock, MPB, funk e eletrônico, com base instrumental segura. O show demonstra uma preocupação cênica alguns trechos podem ser conferidos no site www.mediacast.com.br. Gayotto se apresenta em Curitiba neste final de semana, dias 28 e 29, no Paiol.
As composições têm uma carga intuitiva acentuada, mas ainda irregular, em amadurecimento. Gayotto canta com cuidado e às vezes soa introspectivo. O timbre se orienta para os médios e agudos, e a voz é clara, sem acidentes. O resultado é positivo, coerente com a linguagem pop desenvolvida e os rumos aparentemente despretensiosos há uma simplicidade inerente que afasta o músico da mistificação.
Viver e o Amor na Cidade Grande é o segundo disco de uma carreira que chegou ao CD em 1997, com O Catarina (Dabliú). O meu primeiro disco era mais carregado de elementos pop. As músicas do segundo têm muito a ver com minha última fase de composição, notei que estava indo para um mesmo lado de inspiração, acentua.
Como várias composições ficaram de fora do repertório, Luiz Gayotto já vislumbra um futuro lançamento. Desta vez, o experimentalismo pode ser maior, incluindo improvisos e harmonias mais complexas. O próprio compositor, porém, confessa que ainda é cedo para especular sobre um futuro trabalho.


