‘‘Um Domingo Qualquer’’ estréia hoje no Brasil e traz Al Pacino no papel de um técnico de futebol
ReproduçãoCena de ‘‘Um Domingo Qualquer’’: retrato brutal do futebol americano‘‘Eu deveria ter feito ‘Missão Impossível 2’’, brinca o polêmico diretor Oliver Stone, que deixou de lado a proposta de Tom Cruise para fazer na Austrália a sequela do ‘‘thriller’’ de ação e correu atrás do sonho que tentou materializar durante uma década: um drama tendo como personagens o heroísmo e o futebol americano, não importando em que ordem. ‘‘Um Domingo Qualquer’’, em lançamento nacional a partir de hoje (veja a programação de cinema na página 5), é sobre ambição, rivalidade, conflitos dentro e fora do campo. Um jovem e talentoso zagueiro atrai a atenção da co-proprietária do time (Cameron Diaz). Mas o sucesso do rapaz ameaça as carreiras de um veterano ‘‘quaterback’’ (Dennis Quaid) e do técnico da equipe (Al Pacino).
Pelo caminho de Stone ficaram as marcas das dificuldades para filmar ‘‘Any Given Sunday’’. A National Football League abertamente desaprovou o roteiro, apontando a presença de temas pouco ‘‘saudáveis’’: racismo, sexismo, discriminação etária e toda a sorte de vícios presentes mas não reconhecidos pela Liga. Oliver Stone teve que se desdobrar para obter uniformes com distintivos dos times e autorização para filmar em estádios. ‘‘Acho que a Liga se sentiu mais ameaçada pela reputação de Stone do que pelo que o filme poderia vir a ser’’, diz o roteirista John Logan, referindo-se aos costumeiros maus modos do diretor de ‘‘JFK’’. O diretor, por outro lado, se defende: ‘‘Eu não queria expor nada, estava apenas tentando mostrar heroísmo e o que é preciso fazer para demonstrá-lo naquele meio.’’
O confronto com a NFL, a reescritura do roteiro e o mau tempo atrasaram o filme por oito meses. E para tornar as coisas ainda piores, o fatídico ‘‘overbudget’’. O estouro no orçamento inicial, de 48 para 55 milhões de dólares, obrigou a uma renegociação de salários. Ainda assim, houve deserções no elenco - Ving Rhames e David Duchovny. Mas Stone botou fé em Pacino, justificando a permanência do ator: ‘‘Ele não é polícia e nem é gângster, mas alguma coisa entre os dois - um técnico de futebol. Este é o tipo de papel que Pacino veste como uma luva.’’ (C.E.L.J.)

mockup