Está unida a patota. Se fossem personagens de história em quadrinhos, os alunos de várias escolas da cidade certamente se multiplicariam em vários Huguinhos, Zezinhos e Luizinhos do célebre Tio Patinhas. Mas não são. Os garotos de Curitiba que passam tardes e noites fazendo traquinagens em volta de telas de computadores turbinados não estão mais nem aí para brincadeiras infantis de esconde-esconde. Eduardo Greca, 15, Gustavo Lobato, 14, Felipe Borges 15, Lucas Bonatto, 13, Henrique Dominici, 13, e mais outros tantos estão vivendo a febre do momento: o jogo virtual ‘‘Counter Strike’’.
‘‘O bom deste jogo é que nenhum vê a cara do outro. É só chegar, sentar e jogar direto. Apesar disso existe uma interatividade, cada um coloca seu apelido (nickname em inglês) e sabe que está jogando com os amigos’’, explica Gustavo Gulim, um estudante de Engenharia Civil que adorava jogar o Counter em casa e se uniu ao amigo, o estudante de Marketing Flávio Walusko para abrir a primeira franquia da Monkey em Curitiba.
Com mais de 18 lojas espalhadas entre as principais capitais brasileiras, a Monkey oferece jogos interativos e também acesso à Internet. Apesar do negócio não ser nenhuma novidade, a procura é grande. Talvez seja por causa da localização boa (fica no centro de Curitiba) e por facilitar a chegada de adolescentes vindos das aulas matutinas de escolas próximas.
O Counter Strike existe há pelo menos dois anos. O jogo simula a ação de policiais contra terroristas, terroristas contra mocinhos e ainda situações de sequestro. Os bons tem que eliminar os maus e por aí vai. A meninada simplesmente enlouquece com as ciladas que o jogo proporciona. Alguns chegam a frequentar a Monkey três vezes por semana. ‘‘O meu colega está viciado. Vem todos os dias jogar’’, brinca Felipe Borges ao falar do amigo de escola de quem não se desgruda.
‘‘Venho aqui também para encontrar meus amigos. Eu tenho este computador em casa, mas prefiro aqui, para poder jogar com eles’’, conta Eduardo Greca que, pelo menos duas vezes por semana, vai até à Monkey. Greca não se intimida ao ver a competição acirrada entre os amigos e garante que a disputa é apenas brincadeira. ‘‘O que a gente quer mesmo é ficar aqui uns com os outros, se divertindo’’.
O fato do jogo simular ação entre policiais e terroristas, justamente numa época onde o assunto toma conta do panorama mundial, ao contrário do que poderia ser óbvio, não foi o detonador do sucesso do jogo. Segundo Gulim, a febre já havia começado antes dos atentados de 11 de setembro em Nova York. ‘‘A resposta é não’’, brinca antes mesmo da pergunta terminar de ser feita. Ele explica que estes tipos de jogos de perseguição são sempre bem-vindos entre a garotada, e a crise americana não representou nenhum acréscimo ao movimento da loja.
Aberta todos os dias entre 8 e 24 horas e nos finais de semana chegando a fechar às 4 horas e cobrando R$ 4,00 a hora, a Monkey não se tornou apenas ponto de encontro de meninos que estão começando a ter os primeiros pelos no rosto. Lá, por volta das 16 horas, também aparecem meninos grandes que já tem o canudo na mão, mas ainda conservam a paixão pelos jogos. Advogados e executivos, com cerca de 35 anos de idade, são vistos com frequência trocando a hora do cafezinho por uma rápida passada nas velozes máquinas da Monkey. As únicas figuras raras neste ambiente infanto-juvenil, com brechas para garotos crescidos, são as meninas. ‘‘Elas não vêm muito não. Somente às vezes com os namorados. É mais menino mesmo’’, fala, em tom de fofoca, Felipe Borges.

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