Conflitos da evolução
PUBLICAÇÃO
sábado, 23 de agosto de 2014
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
Aclamado pela crítica especializada, há 15 anos está em cartaz o espetáculo "Primus", que a Boa Companhia, de Campinas (SP), apresenta hoje, às 20 horas, na Divisão de Artes Cênicas/Casa de Cultura, como parte da programação da 46ª edição do Festival Internacional de Londrina (Filo). Na segunda, a peça será reapresentada no mesmo horário.
Com direção de Veronica Fabrini e elenco composto pelos atores Alexandre Caetano, Daves Otani, Eduardo Osorio e Moacir Ferraz, a montagem é baseada no conto "Comunicado a uma Academia", do escritor tcheco Franz Kafka (1883-1924). O enredo aborda a história de um macaco que, para garantir seu lugar ao sol, aprendeu a ser homem e tornou-se um pop star do teatro de variedades. Os atores, ora feras amestradas, ora amestradores, cantam, tocam e sapateiam, fazendo alusão no decorrer da montagem aos limites entre a natureza e cultura, o animal e o humano e a tensão entre a liberdade e a necessidade.
O conto, escrito na primeira pessoa pelo personagem-narrador, em forma de um relato, narra a história de um macaco que após ser caçado e capturado consegue transformar-se em humano e relata a uma academia de ciências como aprendeu a falar e comportar-se como gente. Só que, no caso, comportar-se como um humano significa aprender a cuspir, fumar e se embriagar comportamento que nosso personagem aprende às custas de queimaduras e chicotadas. Duas alternativas de sobrevivência lhe são oferecidas: o jardim zoológico ou o show business (teatro de variedades); ele escolhe o show business.
Dentro da vertente do teatro físico, em uma perspectiva fortemente centrada no trabalho corporal, a encenação tragicômica aposta também em recursos visuais de projeção de imagem (slides), do canto e da percussão ao vivo. A base gestual tem como ponto de partida o estudo das estereotipias de primatas em cativeiro, por meio de observações no Zoológico de São Paulo. Já o trabalho vocal parte da linguagem não articulada, caminhando para a palavra, as canções do music-hall até à alta codificação do canto lírico.
As imagens (slides) que compõem parte do cenário procuram captar as dissonâncias entre a harmonia do mundo natural e a desarmonia do mundo civilizado. A percussão busca, nos ritmos primitivos africanos e no trabalho de livre improvisação, a construção de climas sonoros que ora conduzem à cena, ora oferecem apenas uma sustentação rítmica à ela.
Indagações filosóficas relativas à superioridade do ser humano frente à natureza, os limites entre natureza e cultura, a necessidade de submissão e consequente perda da liberdade para fazer parte do show da "civilização", o humano como reino da necessidade e não da liberdade, são alguns dos instigantes questionamentos trazidos pelo conto que inspira a montagem.
SERVIÇO
"Primus", da Boa Companhia (Campinas/SP)
Quando Hoje e segunda, às 20 horas
Onde Divisão de Artes Cênicas/Casa de Cultura (Av. Celso Garcia Cid, 205)
Quanto R$ 25 (inteira) e R$ 12,50 (meia-entrada)
Pontos de venda Bilheteria do Filo (R. Mato Grosso, 310 Royal Plaza Shopping), das 10h às 22h (segunda a sábado) e das 11h às 20h (domingos e feriados) e pelo site www.diskingressos.com.br
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