Imagem ilustrativa da imagem Conflito bíblico revisitado
| Foto: Fotos: Divulgação/ Globo
Zana (Juliana Paes) e Halim (Antonio Calloni): casal central da trama na adaptação de Maria Camargo, baseada na obra de Milton Hatoum


A minissérie "Dois Irmãos" nasceu na literatura e ganha as telas da televisão a partir do dia 9 de janeiro, após "A Lei do Amor", na Globo. Na adaptação de Maria Camargo, baseada na obra homônima de Milton Hatoum, o drama familiar dos gêmeos Omar e Yaqub (Lorenzo Rocha/ Enrico Rocha/ Matheus Abreu/ Cauã Reymond) é explorado. Desde o nascimento, Zana (Gabriella Mustafá/ Juliana Paes/ Eliane Giardini) elege Omar como o preferido, o que faz o preterido Yaqub rivalizar com o irmão. A devoção dessa mãe a um de seus filhos é apenas o início da decadência da família de Halim (Bruno Anacleto/ Antonio Calloni/ Antonio Fagundes).

"Minha expectativa é que as pessoas vejam e percebam uma dramaturgia diferente, no sentido de que ela parte do romance e volta para o romance, sem negá-lo. Relaxem, abram os olhos e o coração e façam essa viagem", diz o diretor artístico Luiz Fernando Carvalho.

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Em um trecho da trama, é dito que os gêmeos só estiveram unidos no útero da mãe e, depois, nunca mais. A rixa da dupla é acentuada quando ambos se interessam por Lívia (Monique Bourscheid/ Bárbara Evans), mas é Yaqub quem acaba se casando com ela, depois de se mudar de Manaus para São Paulo.

"Vejo a Zana como uma mulher de muita coragem, mas uma mãe que, de fato, sofreu por ter sentimentos tão diferentes por um filho e por outro", ressalta Juliana Paes, que interpreta a personagem na sua fase adulta.

Em dez capítulos, "Dois Irmãos" se debruça sobre o álbum da família de Zana e Halim através dos olhos de Nael (Theo Kalper/ Rian Cesar/ Irandhir Santos). Filho da empregada indígena do casal, é ele quem conta todos os acontecimentos da minissérie. Para a autora, a narração de Nael é a única redenção possível para a história.

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| Foto: Reprodução



"O Nael é um narrador completamente parcial, como quase todos os narradores. Ele tem uma parcialidade bastante explícita, então tem as suas próprias questões, suas dores ali no meio. Isso vai aparecendo cada vez mais. O livro não seria o mesmo sem o Nael e a minissérie, com certeza, seria completamente diferente", avalia a autora, Maria Camargo.

Em meio a tanto ódio, Nael é filho de um dos gêmeos com a empregada Domingas (Sandra Paramirim/ Zahy Guajajara/ Silvia Nobre). No entanto, permanecerá a dúvida cruel para o espectador se o pai é Omar ou Yaqub. Inclusive, essa é uma questão da qual nem Milton Hatoum diz saber a resposta.

"Ele é a voz, o bastardo de uma história muito triste, porque o romance tem uma amargura profunda. Ele é filho dessa mulher explorada há quatro séculos, como é até hoje, infelizmente. Se um dos irmãos contasse, não seria o mesmo romance. É uma singularidade dentro da literatura brasileira partir do ponto de vista do excluído. Esse cara é uma metáfora da nossa miscigenação", explica Milton Hatoum.

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