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domingo, 16 de novembro de 2008
Gabriela Germano<br> TV Press 
A pauta de algumas reportagens às vezes passa bem longe do conforto das cidades modernas e leva jornalistas a locais tão diferentes quanto Cabul, Belmopan ou Tabera. Uma rotina que, sem dúvida, garante experiências interessantes. Destinos longínquos, lugares exóticos e condições precárias de trabalho marcam a vida desses profissionais sempre em busca de uma matéria original. Como Zeca Camargo, que recentemente foi produzir matérias para o ''Fantástico'' em Zanzibar, na Tanzânia, e em Timbuktu, no Mali - ambos países da África. E também na Mongólia, na Ásia. ''Realmente difícil é o deslocamento. Foram 26 horas de viagem por terra pelo interior de alguns países. E é complicado conseguir autorização para gravar em alguns lugares'', ressalta o jornalista.
Em busca de produções diferentes alguns profissionais entram, literalmente, em uma fria. A cidade de Barrow foi um dos lugares escolhidos por Ana Paula Padrão no programa ''SBT Realidade''. Foram seis meses de produção para a viagem em busca do máximo de informações sobre o local, que fica no extremo Norte do Alasca. Mas a jornalista diz que tem coisas que só dá para aprender experimentando. ''Praticamente tudo o que eles comem chega de avião, em determinadas épocas. Todo mundo corre para o supermercado e lá fui eu comprar vários pacotes de minicenouras. Elas ficaram guardados no carro e, quando fui comer, estavam todas congeladas'', recorda Ana Paula aos risos. Ela conta que, além de ter de comprar roupas especiais para suportar as baixíssimas temperaturas - chegam a 30 graus Celsius negativos -, também foi preciso alugar proteção para que os equipamentos de trabalho não congelassem. ''Foi uma viagem cara, o que me faz adiar outras viagens por um tempo'', explica a jornalista, que realiza todas essas reportagens em sua própria produtora, a Touareg.
Os desafios para realizar reportagens são infindáveis que se tornaram inclusive o mote do programa ''Profissão Repórter'', na Globo. O experiente Caco Barcellos já experimentou as mais diferentes situações em sua carreira marcada por famosas reportagens investigativas. Mas recentemente, em uma edição do programa sobre a realidade dos garimpos, as câmaras registraram o seu medo em sobrevoar a selva amazônica em um monomotor. ''A gente quer contar histórias evitando riscos. Mas não podemos nos desviar da matéria e às vezes o risco é inevitável'', resume Caco. Ele recorda ainda que, no programa sobre circos, o jovem repórter Caio Cavechini, aceitou ser alvo de um atirador de punhais sem comunicá-lo. ''Eu jamais teria permitido se soubesse. Mas no fim deu certo e foi interessante para o programa'', pondera.
Com 14 passaportes totalmente carimbados, Glória Maria é uma das jornalistas mais viajadas do Brasil. Tailândia e o deserto do Saara são alguns dos lugares que ela já conheceu trabalhando. Mas entre as experiências inesquecíveis, estão as dificuldades da cobertura de uma guerra. ''Cobri a Guerra das Malvinas e havia muita mina terrestre. Era uma sensação de angústia permanente'', relata Glória.
Mais do que lugares distintos, os jornalistas também vivem uma busca interminável por bons personagens. Maurício Kubrusly acredita que encontra os melhores deles no interior do Brasil. Ele já enfrentou, por exemplo, a viagem de ônibus mais longa do país. Saiu de Rio Grande, no Rio Grande do Sul, ao meio-dia de uma sexta-feira e chegou em Fortaleza na terça seguinte. ''Levei um chinelo mas nem nele meu pé entrava no final da empreitada'', conta Maurício. As mais fortes emoções, no entanto, ele vive ao encontrar pessoas. Como uma mãe com um bebê e mais uma porção de filhos pequenos, em Tabera, na zona rural de Cabrobó, no Pernambuco. ''Conforme eu chegava, as crianças choravam mais. Até que ela me disse que eu poderia me aproximar, pois eles sempre reagiam assim quando viam gente'', relembra Kubrusly, ao dizer que foi difícil dar continuidade ao trabalho depois de ver que aquelas pessoas tinham noção de sua condição miserável.
Datena também aponta os personagens que encontra como a melhor atração do programa ''No Coração do Brasil'', que apresenta na Band. Como a garota que encontrou na Bahia, a 2 mil metros de altura, ao lado de uma cachoeira. ''Ela vendia pastel de palmito com jaca para sobreviver. Fiquei abismado como era articulada. Foi uma das melhores entrevistas que já fiz'', valoriza Datena. E é por essas surpresas que os jornalistas são unânimes em dizer que todo sacrifício de uma reportagem vale a pena.


