Conexões com o cotidiano
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 23 de dezembro de 2002
Jackeline Seglin<br> Reportagem Local 
A artista plástica londrinense Olga Nardi abre hoje, às 20 horas, a exposição ''Exclusivos Fragmentos'', na Sala José Antonio Teodoro, na Secretaria da Cultura de Londrina. Até o dia 10 de janeiro, a artista vai expor 25 objetos inéditos, feitos com vários tipos de materiais. A intenção de Olga Nardi com esse trabalho é mostrar algumas conexões das pessoas com objetos do cotidiano que são imperceptíveis fora da sensibilidade. De um lado, ela trabalha o lixo. De outro, peças que considera ser mais contemporâneas.
A artista confeccionou, por exemplo, ovos de insetos (aranha, barata) gigantes. ''A parte lúdica, interessante e curiosa do trabalho é poder estar vendo essas formas ampliadas. Os objetos ressaltam a perfeição da natureza, o belo, ampliando o que os olhos normalmente não conseguem captar. Os ovos, inicialmente, agridem pelo asco, pelo temor. O primeiro olhar é de repulsa, mas o segundo é de vontade de pôr a mão''.
Uma curiosidade é que para fazer o objeto ovo de aranha, a artista usou 36 quilômetros de linha de overloque, enrolados em uma bola com cola, num trabalho que demandou 25 dias. Antes disso, ela utilizou microscópio e lupa para fazer um estudo com ovos verdadeiros, na tentativa de ser fiel às características originais, como as cavidades e o brilho do material.
Nos objetos em que trabalha parte do lixo, Olga Nardi salienta as conexões do ser humano com esses materiais. Na obra ''Resistência'' (a resistência vence a pressão), a artista trabalha com pinos de panela de pressão e resistências de chuveiro. ''O nome já sugere como decifrar a obra'', diz Olga Nardi, que fala de sua preferência pela arte conceitual. ''Gosto dessa coisa de poder traduzir a obra. É diferente do estético, da técnica. É um trabalho com muita poesia e conceito'', afirma.
Outro objeto destacado é o retrovisor de carro, que traz no meio do espelho uma tecla ''delete'' de computador. A idéia, segundo a artista, é olhar para trás e apagar o passado. Nas demais peças, ela também se utiliza de materiais como fibra de vidro, arame, acrílico e ''restos'' do cotidiano, como pedaços de bule, tampinhas de garrafa, despertador, escapamento de carro e tampa de galão. No catálogo da exposição, Olga Nardi escreve: ''... garimpo os ferros velhos da cidade libertando-me de castas e, no anárquico cenário, encontro fácil recurso para o inconsciente receptor trabalhar no consciente''.
Olga Nardi participou de coletivas em Londrina, Curitiba e Rio de Janeiro, entre as quais, três edições do Reciclart. Realizou ainda uma individual em 1997 na Casa de Cultura da UEL.
Serviço
''Exclusivos Fragmentos'' Exposição da artista Olga Nardi. Abertura: hoje, às 20 horas, na Sala José Antonio Teodoro Secretaria da Cultura de Londrina (Praça 1º de Maio, 110). Aberta ao público até 10 de janeiro, das 12 às 18 horas. Realização: Secretaria da Cultura de Londrina. Apoio: Atelier do Kapetha, Buffet Rodrigues e WMais Agência Web.


