CONEXÃO LONDRINA
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 12 de outubro de 2001
Nelson Sato<br> De Londrina 
Londres era só uma miragem em 1990. O grunge, com o Nirvana à frente, ainda não havia conquistado o planeta. Os Stones Roses lideravam a geração indie dance, a primeira a jogar guitarras psicodélicas nas pistas. Em Londrina, a banda Jules et Jim tentava seguir o estilo tocando aqui e ali para um público ligado em novas tendências.
Um ano depois, Jules et Jim desembarcava em Londres, a capital mundial da música pop. Um dos integrantes, o baterista Marcio Luffer, retornou rapidamente ao Brasil. Os outros três - Rudi (Rodolfo) Trevisani (guitarra), Marcelo Munhoz (baixo) e Fernando Coronado (vocal) - decidiram ficar.
Nesta semana, eles estão completando uma década na terra da Rainha. Fernando enveredou pela música eletrônica comandando o projeto Lord Lovat. Rudi fundou a ''one-man-band'' Ella Guru, um projeto de estúdio em que ele era responsável pelos vocais, guitarra, teclados e programação eletrônica.
Nesta temporada, o som foi encorpado com a entrada de seu irmão caçula Lincoln ''Sano'' (que também resolveu morar em Londres) e de Marcelo. A banda acaba de lançar o EP independente ''Teaching Machines to Funk'', com três músicas. A estréia fonográfica foi com o EP ''Inverno Lo-Fi'', gravado em 1997, época em que Rudi veio a Londrina passar as férias e chegou a fazer um show com músicos convidados.
O novo trabalho traz influência dos Mutantes na faixa ''Arrow'', cantada em português, e um sample da voz de Nelson Cavaquinho em ''Angels are Watching''. Mas pára aí o coquetel de brasilidade. O pulso é o do indie-rock britânico. ''Eu acho que o nosso som tem uma certa individualidade'' - explica Rudi. ''Acredito que a criatividade está em saber como esconder e despistar as suas fontes de inspiração, de pegar informações várias e transformar em algo único, de fazer algo soar familiar e ao mesmo tempo diferente, novo. Algumas pessoas que ouviram nosso disco ressaltaram que o som tem uma energia diferente, as letras são meio down, mas a música é para cima. Talvez seja essa coisa meio melancólica da música brasileira se infiltrando inconscientemente''.
O guitarrista conta que seu cotidiano não foi alterado após o atentado terrorista de 11 de setembro em Nova York, embora admita que exista ''uma certa tensão no ar'' na cidade. ''Nós já convivíamos com o IRA, ou seja, as pessoas já estavam costumadas com terrorismo'' - observa ele. ''Mas agora com a ameaça de terrorismo químico ou biológico, isso é mais perigoso e complicado. Acho que todo mundo fica um pouco mais alerta. Eu me lembro em 1993, quando trabalhava num Café no shopping center da estacão de trem Clapham Junction, quando tivemos uma ameaça de bomba, eu fiquei super assustado. Todos tivemos que evacuar a estação, foi uma correria, uma confusão, e no final só foi um alarme falso!! Quando houve outra ameaça uns tempos depois, voce já não se preocupa tanto e já comeca a pensar: ''Outro alarme falso!!''. Acaba ficando parte da rotina''.
Aos interessados em conhecer o trabalho do grupo, entrou em operação esta semana o website www.ellaguru.co.uk, pelo qual o visitante poderá ouvir ou fazer download das músicas em MP3. O e-mail para contatos é: [email protected]


