Conexão Inclusiva: acessibilidade cultural em debate
Evento traz espetáculos, oficinas e rodas de conversa a Londrina; a programação gratuita conta com um espetáculo no Zerão no domingo (28)
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 23 de setembro de 2025
Evento traz espetáculos, oficinas e rodas de conversa a Londrina; a programação gratuita conta com um espetáculo no Zerão no domingo (28)

Neste sábado (27) e domingo (28), Londrina será palco do Conexão Inclusiva, um festival focado em acessibilidade, diversidade e inclusão social no campo das artes e da cultura. Produzido pela Palipalan Arte e Cultura (produtora com sede em São Paulo e filial em Londrina), a programação conta com oficinas, espetáculos acessíveis, rodas de conversa e um fórum de debates, todos gratuitos. O principal objetivo é reunir diferentes públicos para pensar maneiras de tornar a produção cultural mais acessível, inclusiva e diversa em Londrina.
“O Conexão Inclusiva nasceu de uma inquietação, da percepção de que vivemos um momento crucial de transformação do cenário da cultura, com novos agentes, novos públicos e uma produção cada dia mais diversa ”, conta Patricia Braga Alves, diretora do Conexão. “A ideia, então, é promover uma programação que transborde essa diversidade, desde as oficinas e rodas de conversa, até os espetáculos”, explica.
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A programação começa no sábado com uma oficina voltada aos produtores culturais da cidade.
“Como Pensar um Evento Acessível e Diverso”, com a artista e produtora Fredda Amorim, convida profissionais e estudantes da cultura a mergulharem em uma reflexão prática e política sobre a produção de eventos, partindo de perspectivas anticoloniais, anticapacitistas, racializadas e LGBTQIAPN+.

Fredda é travesti, negra, e tem mais de 15 anos de experiência em gestão e produção cultural. Na oficina, voltada a pessoas que produzem cultura em suas diversas linguagens, a artista compartilha as experiências, ferramentas e metodologias que acumulou a partir de sua vivência e trabalho no campo cultural. “Com o tempo, entendi que é necessário pensar a produção cultural não apenas como organização técnica, mas como prática de afeto, reparação e justiça social”, defende Fredda.
ACESSIBILIDADE EM CENA
Após a oficina, no sábado à noite, o Conexão Inclusiva abre o palco com o espetáculo “Mulher, Como Você se Chama?”, da Alfaiataria Espaço de Artes, de Curitiba. O solo traz a atriz Janaina Matter, que também assina a dramaturgia, e apresenta a sua busca por respostas para a inquietação sobre o apagamento das mulheres na história do mundo. “Falar de muitas mulheres é também falar de uma, falar de uma mulher é falar de muitas”, reflete.
O espetáculo será apresentado na Divisão de Artes Cênicas da UEL, com ingressos distribuídos uma hora antes do espetáculo, e terá uma segunda sessão, no domingo, desta vez com visita tátil. “A experiência da visita tátil, que acontecerá no domingo, é uma forma de apresentar o espetáculo às pessoas que não enxergam, mas que podem explorar o cenário, figurino, e outros elementos a partir do toque”, conta Patrícia. A visita é aberta às pessoas interessadas e acontece antes do início da peça, como uma ferramenta de acessibilidade direta no palco.

ESPETÁCULO NO ZERÃO
Além de “Mulher, Como Você se Chama?”, a programação ainda trará o espetáculo “O País Que Perdeu as Cores”, que tem atrizes-intérpretes de libras (a língua brasileira de sinais) como parte do elenco de. “Ao todo são 15 pessoas no palco, entre atores e atrizes, músicos e atrizes-intérpretes de libras que contam juntos a história”, explica Danni Vianna, da Cia Barco, de São Paulo.
O espetáculo narra a experiência de um povo surpreendido pelo desaparecimento da Velha Presidenta e a ascensão de um governante autoritário ao poder. Com o novo governante, o país começa a perder as cores que só o povo unido poderá recuperar. “O País que perdeu as cores” será apresentado no Zerão.

FÓRUM DE DEBATES
Além da programação cultural, o Conexão Inclusiva reservou um espaço da programação para partilhar experiências e firmar compromissos em torno da pauta da acessibilidade e da diversidade na cultura. O “Diálogos Inclusivos: fórum de debate sobre diversidade, inclusão e cultura” vai promover dois dias de troca de experiência entre agentes da cultura, comunidades diversas, territórios e poder público, a fim de construir uma carta coletiva indicando parâmetros e demandas em torno do tema.
O Fórum será organizado por eixos temáticos, abordando desde direitos humanos e diversidade de gênero, até a acessibilidade em equipamentos culturais, filmes e festivais. “É uma grande roda de conversa para trocar experiências, informar, inspirar pessoas e levantar demandas. É uma aposta, também, na potência das reflexões coletivas”, reforça Patrícia.
MAIS OFICINAS EM NOVEMBRO
Além do final de semana de atividades, o Conexão Inclusiva retorna à cidade no dia 1 de novembro, com mais atividades formativas em torno da acessibilidade. Conduzidas por Lucas Grigio, a “Oficina de Acessibilidade para Crianças e Jovens” trará atividades lúdicas que incentivam a convivência, a escuta ativa e o respeito à diversidade. A oficina acontece no Jardim Nossa Senhora da Paz, na Bratac, e deve partir das próprias referências e acúmulos do território para pensar diversidade e acesso.
No mesmo dia, o produtor realiza a oficina de “Acessibilidade para Produtores Culturais”, voltada a artistas e trabalhadores da cultura. A oficina vai oferecer ferramentas práticas para integrar acessibilidade em projetos, eventos e espaços de cultura.
Toda a programação é gratuita e contará com medidas de acessibilidade como intérprete de Libras, audiodescrição, linguagem simples e espaços adaptados, garantindo também a participação de pessoas com deficiência e mobilidade reduzida.
* Com assessoria.
SERVIÇO:
Conexão Inclusiva
SÁBADO (27)
● 09h30 | Lançamento da Programação – Vila Triolé Cultural / Online
● 10h–13h | Oficina “Como Pensar um Evento Acessível e Diverso” com Fredda Amorim – Vila Triolé Cultural
● 14h30–17h30 | Diálogos Inclusivos: Fórum sobre diversidade, inclusão e cultura – Biblioteca Municipal
● 20h30 | Espetáculo “Mulher, Como Você se Chama?” – DAC (Divisão de Artes Cênicas da UEL)
● 21h30 | Roda de conversa – DAC (Divisão de Artes Cênicas da UEL)
DOMINGO (28)
● 10h–13h | Diálogos Inclusivos: Fórum sobre diversidade, inclusão e cultura – Secretaria Municipal de Cultura
● 16h | Espetáculo de rua “O País Que Perdeu As Cores” (infantojuvenil) – Zerão (gramado ao lado do Anfiteatro)
● 19h | Visita tátil ao espetáculo – DAC (Divisão de Artes Cênicas da UEL)
● 19h30 | Espetáculo “Mulher, Como Você se Chama?” – DAC (Divisão de Artes Cênicas da UEL)
O festival Conexão Inclusiva é um projeto contemplado pelo Edital 003/2024 PNAB – Secretaria Municipal de Cultura de Londrina e tem realização da Palipalan Arte e Cultura.


Da Redação
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