CONEXÃO
Pagando para voar
Os gastos trimestrais das empresas americanas de aviação comercial com seguros quadruplicaram, de US$ 79,8 milhões no segundo trimestre de 2001 para US$ 327,6 milhões no mesmo período deste ano. E o custo com mão-de-obra, segurança e combustível também aumentaram consideravelmente, alguns deles para sempre, depois que a aviação comercial foi usada como arma pelos terroristas de 11 de setembro. As companhias aéreas estão pagando para voar. Pedem uma nova injeção de capital do governo dos Estados Unidos e prevêem uma série de falências se houver uma nova guerra contra o Iraque. A Delta Airlines anunciou mais uma rodada de demissões, de 10% a 12% de seu quadro atual de cerca de 68 mil empregados. A indústria americana de viagem já demitiu mais de 300 mil funcionários, ou cerca de 10% do total, a mesma proporção que as empresas de aviação comercial. No congresso da Associação da Indústria de Viagem da América (TIA, na sigla em inglês) o setor aproveitou para reforçar seu lobby por uma agência de estímulo ao turismo, que tenha verbas do governo federal, como a brasileira Embratur.
A grandeza dos números
Os números mostram que o Brasil registrou nos últimos anos, um expressivo desenvolvimento do turismo. Em 1995 atraiu 1,9 milhão de turistas estrangeiros, e quase três vezes mais, 5,3 milhões, em 2000. Esse número caiu para 4,7 milhões, em 2001, em virtude da redução do fluxo de viajantes argentinos e do atentado em Nova York, mas está estimado em 6,5 milhões, em 2003, pela Embratur. O setor emprega 5,3 milhões de pessoas. Com dimensões continentais, 7,4 mil km de costas, grande número de hotéis administrados por redes mundiais (464, até 2003), o país poderá se tornar um dos líderes no turismo mundial, se aumentar os investimentos hoje estimados em US$ 1,2 bilhão/ano, como calcula o governo. Em 2000, as receitas geradas pelo turismo no país, foram estimadas em US$ 4,3 bilhões, mas o Banco Central calcula que o valor real seja superior.
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Arquivo Folha
Até novembro, baleias franca podem ser observadas em Santa Catarina
O show das baleias franca
Todos os anos, de julho a novembro, as praias do litoral sul de Santa Catarina recebem visitantes ilustres. Eles vêm de longe, dos mares frios da Antártida, numa viagem de mais de 3 mil quilômetros. São as baleias franca, que migram para o Brasil nessa época do ano para amamentar seus filhotes recém-nascidos e para encantar turistas. O turismo de observação de baleias (''whale watching'', como é chamado) movimenta anualmente algo em torno de US$ 1 bilhão em 87 países do mundo todo. Mas pouca gente sabe que o litoral catarinense é uma das áreas mais importantes do planeta para a reprodução de baleias franca a região recebe, todos os anos, cerca de 200. Os brasileiros já perceberam que o tesouro que habita suas águas por alguns meses no ano precisa ser cultivado e se deram conta também de que isso pode se tornar um bom negócio. As baleias jubarte que invadem a região de Abrolhos, na Bahia, de janeiro a abril, têm despertado cada vez mais a atenção de nativos e viajantes.
Em Imbituba elas
aparecem todos os dias
Em Santa Catarina, as baleias franca começam a virar mania nas cidades localizadas entre Florianópolis e Laguna. Imbituba é uma delas. Nesse município pequeno, com 36 mil habitantes, localizado a 70 quilômetros de Florianópolis, a observação dos mamíferos é praticamente diária durante o período de visita. Moradores e turistas se agrupam na beira das praias da cidade para vê-las brincando com seus filhotes, a 30 metros da areia. Surfistas, sem fazer muito esforço, conseguem chegar bem perto. Hotéis e restaurantes mantêm pequenos observatórios, de onde é possível admirá-las com conforto mas, preferencialmente, com bons binóculos à mão.
Berçário das baleias
As baleias franca são animais dóceis, que podem chegar a medir até 18 metros e a pesar mais de 40 toneladas. A cauda larga, a nadadeira em formato de trapézio e o esguicho em forma de ''V'' (que pode alcançar até 8 metros de altura) são as características que as diferenciam das outras baleias que migram para o Brasil, como as jubarte e as mink. Verrugas branco-amareladas presentes em suas cabeças são os sinais que permitem a sua identificação individual cada baleia franca possui verrugas diferentes, únicas, que funcionam como uma espécie de impressão digital desses animais. Imbituba ostenta hoje o título de ''berçário das baleias franca'', orgulho de seus moradores. A cidade é a sede do Projeto Baleia Franca (PBF), organização não-governamental ligada à Coalizão Internacional da Vida Silvestre (a canadense International Worldwide Coalition). O projeto está completando 20 anos de existência e foi criado por iniciativa de pesquisadores, os primeiros a alertar a população sobre a importância da conservação das baleias. Hoje, a prioridade da cidade é investir no turismo de observação dos enormes mamíferos marinhos.





