Condenados à morte
PUBLICAÇÃO
sábado, 16 de janeiro de 2010
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
O que passa pela cabeça de uma pessoa condenada à pena de morte? Esse tipo de punição é judicialmente eficaz para repreender crimes hediondos? Como se sentem as famílias das vítimas e dos condenados? Há algum tipo de sentimento de culpa no executor da punição?
Munido com esses questionamentos, o premiado diretor e produtor independente Mark Manning (ganhador de 10 prêmios Emmy) produziu a série para televisão ''Condenados à Pena de Morte'' que estreia amanhã na National Geographic (NatGeo). Em entrevista à FOLHA, Manning afirma que o seu objetivo não foi facilitar as respostas sobre esse tipo de condenação, mas aprofundar o debate sobre ele e provocar respostas. ''Comecei esse trabalho com uma postura totalmente contra esse tipo de punição, e que mantenho ainda, mas, com a conclusão deste trabalho, percebo o quanto essa questão é mais complexa e complicada'', destaca.
Gravado em Huntsville, no Texas, o epicentro da pena capital nos Estados Unidos - onde cerca de 16 pessoas são condenadas à morte por ano -, a série conta com entrevistas com alguns dos condenados, seus familiares e também conversas com as famílias das vítimas. Da ''experiência muito estranha'' de estar face a face com pessoas condenadas por crimes extremamente violentos, Manning comenta que tudo foi fácil em comparação à situação dessas pessoas, que muitas vezes nem sabem quantos dias faltam para a sua execução.
''Em alguns momentos era difícil acreditar que alguns condenados, aparentemente charmosos, educados e inteligentes, pudessem ser capazes de atos tão terríveis. É possível até sentir certa simpatia por eles durante as conversas, mas quando se toma conhecimento dos crimes que cometeram esse sentimento muda'', conta Manning. ''Por outro lado, muitas vezes me questionava o quanto também não nos tornamos assassinos quando aceitamos esse tipo de condenação'', acrescenta. Sobre isso, ele ainda lembra que os executores da pena de morte entrevistados não demonstram nenhum tipo de sentimento de culpa e sim o de dever cumprido, já que esta é a profissão deles.
Questionado sobre o interesse da audiência brasileira nesse tipo de programa, sendo que no Brasil não existe pena de morte, Manning lembra que de maneira geral há muita curiosidade sobre o tema e que tomou cuidado para que a série não abordasse a violência de forma superficial, como entretenimento. ''Espero que o programa possa fomentar o debate. Essa foi a minha intenção''.
- Condenados à Pena de Morte, domingo, 22h, na NatGeo


