O colorido e o lado bom da vida que o uso das drogas pode tirar ganhou intensidade e formas em cartazes que alunos do ensino fundamental de quatro escolas municipais de Cambé elaboraram para concorrer ao VII Concurso Nacional de Cartazes, organizado pela Secretaria Nacional Antidrogas (Senad). O objetivo do concurso é motivar o tema na sala de aula, mostrando que previnir o uso indevido de drogas não é somente informar os efeitos e problemas decorridos desse uso. Despertar medo também pode não ser uam boa estratégia. E a recomendação é que a prevenção esteja voltada para a promoção da saúde e do bem-estar físico e mental do ser humano. Motivar a participação das pessoas em atividades educacionais, esportivas, culturais, artísticas e sociais, nas quais encontrem prazer sem fazer uso indevido de drogas, estimula a tomada de atitudes positivas diante das dificuldades da vida e é reconhecida como a melhor prevenção.
E parece que as crianças compreenderam a idéia. Espalhados pelo pátio da Escola Municipal Roberto Conceição, os cartazes traduziam um pouco do olhar infantil sobre o mundo ideal que possa ajudar a todos a se distanciarem do risco de usar drogas. A família, espaços recreativos, a natureza, esportes, praças arborizadas e bem cuidades foram alguns dos argumentos mais recorrentes nos cartazes. A exuberância das cores quentes também chamava a atenção de alguns cartazes.
Todas as turmas de 1 a 4 série participaram da elaboração dos cartazes, mas cada escola só poderá concorrer com apenas um cartaz por série e uma seleção prévia precisou ser feita.
A professora de Artes Viviane Mascarenhas, 31 anos, explicou que a qualidade dos cartazes demonstrou o resultado de um trabalho para o desenvolvimento do senso estético que vem sendo realizado na Escola Municipal Roberto Conceição desde o início da fase escolar. ''Trabalhamos com leitura de imagens de obras de arte para estimular o repertório visual deles. Desde cedo, eles aprendem que o 'pé da folha' não precisa ser a 'base' do desenho. Há todo um espaço bidimensional que pode ser aproveitado com criatividade'', ressaltou.
As atividades que antecederam a confecção dos cartazes também contou com a realização de um miniteatro sobre a prevenção do uso de drogas. No elenco, um personagem que chegou a usar drogas, mas abandonou o vício, e outro que nunca experimentou drogas. Segundo a professora, o conceito de ''ócio'' também foi um assunto bastante debatido em sala de aula, com várias sugestões para preencher o tempo livre de forma criativa e saudável. ''É papel da escola preparar os alunos para enfrentar esse tipo de situação, que desde pequenas as crianças podem ser alvo. Precisamos conversar sobre que tipo de vida queremos e a maneira mais saudável para podermos lidar com problemas na família, a falta de dinheiro, a pobreza e até frustrações com namorados, que são alguns motivos citados por eles para o início do vício'', afirmou a professora.
Na Escola Municipal Irmã Hilda Soares, cerca de 400 alunos se envolveram na elaboração dos cartazes. A professora de Artes Josebele de Oliveira Marigo, 34 anos, destacou que a atividade abriu mais espaço para o diálogo sobre a prevenção das drogas. Segundo ela, o clima na sala de aula foi de bastante confiança e, mesmo com a pouca idade das crianças, elas silenciavam com muito respeito quando alguns dos colegas davam depoimentos espontâneos sobre familiares envolvidos com drogas. ''Alguns relataram que o pai estava preso por causa de drogas, e não queriam ter o mesmo destino, ou que um primo morreu em decorrência do vício, por exemplo'', comentou Josebele.
No desenho do aluno Paulo Sérgio Marcelino de Lima, 13 anos, aluno da 4 série, o que predominavam eram referências a práticas esportivas: quadra de futebol, piscina e pista de skate. ''Não conheço ninguém que é viciado em drogas, mas acho que o lazer e o esporte podem ajudar muito a prevenir o uso de drogas'', disse Paulo Sérgio, que sonha em ser advogado e trabalhar em um escritório.
A aluna Karina Capaci Luiz, 9 anos, da 4 série, destacou as atividades artísticas. No seu cartaz, balé, pintura e canto. ''Essas atividades são muito legais e melhores do que usar drogas. Quem usa drogas, morre mais cedo, pode ser presa, esquece muito das coisas e, depois que experimenta, sempre que mais e acaba se viciando. Quero para mim um futuro bom'', argumentou.
Os alunos do Caic de Cambé, onde funcionam as escolas municipais Cecília Meireles e Valdir Umberto de Azevedo, também participaram do concurso de cartazes. Há cinco anos, os alunos da 4 série das escolas de Cambé também são beneficiados com o Programa Proerd (Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência), realizado em parceria com a Polícia Militar do Paraná. Semanalmente, durante um semestre, uma policial militar visita as escolas oferecendo atividades educacionais com o objetivo de prevenir o uso de drogas e o uso da violência entre crianças e adolescentes.

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