CONCERTOS DIDÁTICOS - Para aprender a gostar de música
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terça-feira, 09 de novembro de 2010
Ana Paula Nascimento<br>Reportagem Local 
O espaço é improvisado na quadra da escola, mas a empolgação é evidente diante da possibilidade de ouvir a apresentação ao vivo dos oito músicos que compõem a Orquestra de Câmara Solistas de Londrina. O grupo iniciou na última quinta-feira uma série de concertos em escolas municipais da cidade - uma novidade, já que até então os Solistas só haviam se apresentado em escolas estaduais. A iniciativa tem apoio do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic). Ao todo serão dez escolas contempladas, incluindo palestras para professores.
Diante das mais de 200 crianças sentadas no chão da Escola Municipal Professora Ruth Lemos (Região Norte), o violinista Natanael Fonseca começou falando um pouco das diferenças entre os instrumentos que compõem o conjunto - violinos, violas, contrabaixo e violoncelo. Com os olhinhos atentos, os alunos observavam as explicações e também se deliciavam ao ouvirem as apresentações musicais que aconteceram nos intervalos. No repertório, obras desde o Barroco até compositores brasileiros, com o objetivo de mostrar um pouco de cada estilo musicial. As composições incluíram Mozart, Vivaldi, Bento Mossurunga, Guerra-Peixe, entre outros.
A prática do silêncio foi lembrada em alguns momentos, explicando para as crianças que para esse tipo de concerto ele é fundamental para um ambiente propício para esse tipo de apreciação.
Natanael também explicou que quem cria as músicas são os compositores, que vão combinando com criatividade as diversas alturas dos sons (entre graves e agudos), assim como um pintor que brinca com as mais diferentes cores de tintas.
Para os alunos que brincavam de maestro da orquestra durante a apresentação, a explicação sobre o spalla - ou primeiro violinista - foi válida, já que em grupos pequenos é ele quem ''rege'' o grupo. A regência é mais discreta e os outros músicos o acompanham apenas pelo olhar.
Outra demonstração que chamou a atenção dos alunos foi o pizzicato, que é um jeito de tocar quando os músicos tocam ''beliscando'' as cordas. Aplausos e risos foram inevitáveis. A explicação sobre o arco feito de crina de cavalo também rendeu risadas.
Com o objetivo de desenvolver um trabalho intensivo para a formação de plateia de música erudita, o projeto ''Uma Orquestra nas Escolas - Concertos Didáticos'' deve ser ampliado em 2011 nas escolas municipais, segundo a sua coordenadora Irina Ratcheva.
''Já temos um projeto aprovado pela lei federal para ampliá-lo e a nossa intenção é fazer até um CD-ROM sobre cada instrumento para ser distribuído nas escolas, contribuindo até com a obrigatoriedade do ensino de música no ano que vem'', afirma. ''Queremos criar um ambiente propício para isso e percebemos que as escolas ainda estão sem muita estrutura para a questão das aulas de música'', comenta.
Segundo ela, o contato com a música através destas apresentações estimula a disciplina, a facilidade de expressão dos sentimentos, a atenção, a concentração e a socialização. Irina também defende que a iniciativa, além de proporcionar novos parâmetros estéticos, faz com que os alunos se divirtam e ao mesmo tempo fiquem familiarizados com uma estrutura que, erroneamente, é considerada elitista.
A diretora Ivanete da Silva Teixeira avalia que a apresentação é uma forma de melhorar a acessibilidade dos alunos a outros bens culturais. ''Muitos nem saem aqui do bairro e deixam de conhecer coisas diferentes. Se bem que pelo fato de termos o Musicando na Escola aqui, muitos já começam a ficar mais acostumados com a música erudita. A iniciativa fomenta o interesse e chega a faltar vagas para os interessados do Musicando'', observa.


