Atualmente, a frequência é maior, mas os ''Concertos Didáticos'', promovidos pela Orquestra Sinfônica da UEL ocorrem há sete anos, tendo se tornado, ao longo do tempo, sinônimo de uma idéia muito inspirada. Alunos do ensino fundamental ao 2º grau de escolas municipais, estaduais e particulares de Londrina, que agendam previamente sua participação com a Divisão de Música da Casa de Cultura da UEL, vão ao Cine-Teatro Ouro Verde, a maioria pela primeira vez, para entrar em contato com a música clássica e aprender sobre a formação de uma orquestra.
Promovidos uma vez por mês, os ''Concertos Didáticos'' de junho estão reunindo no Ouro Verde, ontem e hoje, em sessões corridas pela manhã, às 9h00 e às 10h00, cerca de 1.600 crianças, de 10 escolas da cidade. Nas portas do teatro e enquanto entram, em fila indiana, o entusiasmo geral mostra-se contido. Afinal, todos querem se comportar adequadamente num ambiente tão sério. Mas os olhos brilham de excitação pela novidade e quando o jovem maestro adjunto, Henrique Vieira, de 25 anos, os cumprimenta com um simpático ''Bom dia!'', o som caloroso da resposta reverbera alegremente pelo recinto solene.
Começa, então, a apresentação das ''famílias musicais'' que compõem uma orquestra. Cada instrumento mostrado tem direito a um ''solo'', para que todos saibam não só como ele é, mas como soa. A primeira a participar do desfile é a ''das cordas'': o violino, que se toca com um arco, confeccionado com corda e pêlos de cavalo; a viola que, por ser maior do que seu irmãozinho violino, tem um som mais grave ou ''fala mais grosso'', como diz o maestro; o violoncelo, que é maior ainda; e o contrabaixo, ''o avô de todos eles'' e que, por ser assim, um grande e imponente patriarca, arranca ''Ohs!'' e ''Ahs!'' de admiração das crianças.
A seguir, vem a família ''dos sopros'' ou ''das madeiras'', chamada assim muito mais por causa do som aveludado que os instrumentos emitem do que pela matéria-prima de que são feitos. A essa família de ''voz doce'' pertencem a flauta, o flautim, o oboé, o clarinete, o clarone, o fagote e a trompa que, na verdade, transita entre os dois grupos, o ''das madeiras'' e o ''dos metais'', o próximo a ser apresentado. Mas a trompa causa espanto entre as crianças, por dar a impressão de estar toda retorcida e ser tão pequena. ''Ela parece pequena'', explica o maestro, ''mas se fosse desenrolada, chegaria a 3,5m de comprimento''.
Na família ''dos metais'', que inclui o trompete e os trombones (de vara, contralto e baixo), a mais comentada é a tuba - grande, esquisita e de som engraçado. Na ''da percussão'', tanto a batida marcial do tímpano, do bumbo, da caixa clara e dos pratos; quanto a cadência estrangeira das castanholas e o repique bem brasileiro do agogô, do reco-reco e do triângulo fazem igual sucesso.
A orquestra toca, mostrando agora como todas as famílias se integram, na mais perfeita harmonia. Mas, para terminar, que tal ter a sensação de que se está no comando de tudo? O maestro escolhe cinco participantes da platéia e, cada um, por dois a três minutos, empunha a batuta e rege a orquestra, na execução da ''Pequena Serenata Noturna'', de Mozart. Para Rafaela, de 5 anos, a menorzinha dos regentes da sessão das 9h00 do dia 17, a experiência ''foi legal!''. Música não é algo distante de seu mundo, já que seu pai toca violão e tem uma banda. Contudo, apesar da preferência paterna pelas ''cordas'', ela gostou mesmo foi do som doce da flauta e, entusiasmada, quer aprender a tocar o instrumento. Assim como Rafaela, as crianças que participam dos ''Concertos Didáticos'' costumam deixar o teatro animadas. São ''tocadas'' pela música e, dificilmente, a partir de então, deixarão de incluí-la em seu futuro.
Serviço:
Escolas interessadas em agendar os ''Concertos Didáticos'' podem entrar em contato com a Divisão de Música da Casa de Cultura da UEL.
Fones: (43) 3323.7417 e 3322.5224

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