Concertos com Fafá de Belém abrem o 30º FML
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sexta-feira, 09 de julho de 2010
Nelson Sato<br>Reportagem Local 
É segunda-feira a abertura oficial do 30º Festival de Música de Londrina que, desde a última quinta-feira, já movimenta a cidade com a realização do 16º Simpósio Paranaense de Educação Musical.
O concerto inaugural começa às 20h30 no Cine Teatro Ouro Verde com a execução de três peças: o ''Hino a Londrina'', com participação especial da cantora Fafá de Belém; o ''Concerto para Piano em Fá'', do compositor norte-americano George Gershwin, tendo como solista o pianista e diretor artístico do FML Marco Antônio de Almeida; e ''Choros nº 10 para Orquestra e Coro'', de Heitor Villa-Lobos, com a Orquestra Sinfônica da UEL e coros da cidade.
O maestro e fundador do festival, Norton Morozowicz, será o responsável pela regência da orquestra. Já os coros terão à frente a maestrina venezuelana Maria Guinand. O ''Hino a Londrina'' recebeu um novo arranjo do maestro Vitor Gorni. Será cantado à capella por Fafá de Belém, cuja presença não partiu de uma escolha aleatória, já que ela ficou marcada por uma interpretação diferenciada do Hino Nacional, além de ter iniciado a carreira profissional com um show em Londrina na década de 70.
A obra de Gershwin, por sua vez, promove um resgate do canto negro americano remontando ao blues e ao gospel em uma composição exemplar do chamado jazz sinfônico. O tema de Villa-Lobos, por fim, apresenta características de ritos indígenas com a inserção de vocalises onomatopeicos. Quem perder o concerto na segunda, poderá assistí-lo na terça-feira quando todos os 170 musicistas participantes retornam ao palco. Os ingressos estão à venda na bilheteria do Teatro Ouro Verde, a partir de 11 horas, a R$ 15 (inteira) R$ 7,50 (meia).
O festival, que ocorre até o dia 24 de julho, contará com cerca de 80 concertos em diversos pontos da cidade abrangendo teatros, bares, vilas culturais, hospitais e espaços ao ar livre (praças, Calçadão, Zerão, Concha Acústica, campus da UEL e canteiros de obras). Estão previstas extensões em municípios da região como Maringá, Apucarana, Rolândia, Porecatu e Sabáudia.
O slogan do evento, ''Festival de todas as Músicas'', mantém-se de pé nesta edição privilegiando a diversidade de gêneros. Entre as atrações anunciadas ontem durante entrevista coletiva dos organizadores, parceiros e patrocinadores, Marco Antônio de Almeida enfatizou a multiplicidade sonora incorporada ao FML. ''Teremos desde a companhia de ópera de Hamburgo New Hope a uma oficina de ciranda com Lia de Itamaracá, além de cursos de choro e viola caipira'', afirmou.
A participação de Arrigo Barnabé também foi ressaltada pelo diretor artístico do festival. ''Ele vai trazer um show dedicado à obra do compositor popular Lupicínio Rodrigues'', antecipou. O músico nascido em Londrina e que se projetou no início da década de 80 como expoente da ''vanguarda paulistana'', se apresentará no dia 18 no bar Valentino acompanhado pelos músicos Paulo Braga (piano) e Sergio Espíndola (violão e voz).
O elenco de convidados internacionais traz a pianista russa Julila Botchkovskaia; o grupo de sopros norte-americano Vento Frio; as pianistas coreanas Jaeeum Lee e Hye Yon Park (que se apresentam ao lado do brasileiro Allan Duarte Manhas); o duo de pianistas Fábio e Gisele Witkowski (brasileiros radicados nos Estados Unidos); e o maestro japonês Daisuke Soga (em sua quarta participação consecutiva no FML).
Soga será o regente do concerto de encerramento dedicado à célebre obra ''Carmina Burana'', do compositor alemão Carl Off (1895-1982). Entre as novidades da programação constam um recital de harpa com o curitibano Hélio Leite; um grupo instrumental formado só por mulheres (batizado de Diva Jazz Orquestra); e o encontro ''Rumos da Composição Paranaense'' que reunirá mesas-redondas, conferências e mostra de composições.
Na coletiva, Almeida lembrou que boa parte das atrações artísticas é resultado da própria programação pedagógica do festival. ''Alguns grupos, corais, big bands e orquestras são formados durante o transcorrer do evento. Essa é uma característica que não se encontra em outros festivais por aí'', ressaltou. De acordo com ele, mais do que os concertos, a importância do FML está em seu formato estruturado em torno da educação musical.
''Somos conhecidos nacionalmente pela grade pedagógica e não pelos eventos'', ressaltou. ''Os eventos passam. O que fica é a formação. Desta vez recebemos 1.400 inscrições de alunos de todo o país, e todos poderão participar dos cursos e oficinas. Aqui não fazemos testes eliminatórios, mas classificatórios de acordo com estágio de aprendizado de cada um. Não mandamos ninguém de volta para casa.''
Neste ano, a programação pedagógica está oferecendo 55 cursos com opções para todas as faixas etárias.


