CONCERTOS - Ouvidos afinados com a música antiga
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 25 de outubro de 2006
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
Há 11 anos o Projeto de Música Histórica da UEL vem proporcionando ao público londrinense e da região a oportunidade de conhecer e se envolver com a delicadeza da música histórica, com destaque para a medieval, recriando, através de cópias, instrumentos antigos. Música medieval, renascentista, contemporânea, luta de espadas, grupos de flautas e vocais fazem parte da programação da IV Mostra de Música Histórica de Londrina, iniciada na última segunda-feira, com encerramento neste domingo. Hoje a atração são duas palestras, incluindo performances musicais, com entrada franca: ''Desconstruindo Fauvel'', com Elimar Plínio Machado; e ''A Arte da Espada'', com Bruno Cerkuenick e André Zabateiro, que fazem parte do grupo Ars Gladiatoria. O evento acontece às 20 horas, no Edifício Júlio Fuganti, no 11º andar.
Idealizado pelo músico Elimar Plínio Machado, atualmente o projeto tem três atuações: o Grupo Neuma, que se dedica a performances de música medieval, incluindo vocais e intrumental; Ars Mensurabilis, com trabalho semelhante ao realizado pelo Neuma, mas voltado para pré-adolescentes e crianças; e o Tetracorde, quarteto de flauta doce que estuda repertório antigo e contemporâneo para flauta doce. Ainda tem o Contrafacta, com a proposta de estudar as formas instrumentais da Idade Média. Além de apresentações públicas, o projeto oferece aulas gratuitas desse tipo de repertório, constituindo-se em um projeto inédito em intituição pública brasileira. ''A nossa expectativa é que em breve possamos ser uma seção dentro da universidade para que tenhamos condições de ampliar o nosso trabalho, que já tem demanda para isso. Mais de 120 pessoas passaram pelo projeto, que também visa uma capacitação profissional na área de música. Isso também promoveria um maior intercâmbio de músicos'', ressaltou Machado.
Em um mundo tão turbulento e estressado, Machado, que intensificou seus estudos em música antiga na Suíça - grande pólo de música histórica -, falou sobre a proposta musical à qual se dedica. ''Ela promove uma calma, um relaxamento que a música de concerto sinfônica não propicia por sua massa sonora. A nossa música também tem densidade, mas é mais sutil, trabalha com a sutileza do ouvinte'', comentou.
Ainda com poucos grupos se dedicando a esse estilo de música e dificuldades para adquirir material bibliográfico, é do Brasil uma das principais referências nesse ramo, o grupo ''Continens Paradisi'', formado pelos londrinenses Rogério Gonçalves, Thaís Ohara, Marcelo Ohara e Agileu Mota, que no momento atua na Suíça. Outros nomes de destaque são o ''Longa Florata'' e ''Atempo'' e ''Quadro Cervantes'', do Rio de Janeiro.


