Concerto reúne uma obra versátil
Mário Loureiro será homenageado em concerto realizado por mais de vinte artistas dentro da programação do Festival de Música
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 10 de julho de 2019
Mário Loureiro será homenageado em concerto realizado por mais de vinte artistas dentro da programação do Festival de Música
Marian Trigueiros - Grupo Folha 
As notas, intervalos e ritmos de várias composições musicais do londrinense Mário Loureiro vão ganhar vida em apresentação única e inédita que irá reunir mais de 20 músicos, entre cantores e instrumentistas - incluindo seus dois filhos Henrique e Daniel Loureiro - no palco do Cultural Hall nesta quarta-feira (10), às 17h. Trata-se de um concerto em homenagem ao compositor e professor na abertura do 5º Encom (Encontro Nacional de Composição Musical), organizado pelo departamento de Música da UEL (Universidade Estadual de Londrina) e realizado bienalmente na programação do FIML (Festival Internacional de Música de Londrina). Este ano, o tema do evento é a reflexão sobre os “riscos” da composição, improvisação musical e a performance, tendo como foco a valorização da música brasileira contemporânea.
Docente do curso de Música da UEL desde 1996, apesar da timidez, Loureiro é conhecido por sua personalidade inovadora e entusiasta no campo da educação musical. Porém, antes mesmo de lecionar e se formar em Regência e Composição pela FAMM (Faculdades de Artes Alcântara Machado), em São Paulo, já se aventurara pelos caminhos da música, que começou na infância e continuou no seminário, onde estudou por dois anos. Nos idos da década de 1980, então, quando ainda cursava Psicologia na UEL, não poupava criações ao lado de amigos da universidade, como o baterista Gilson Corsaletti, nas famosas Mostras de Música de Londrina, conquistando, inclusive, o primeiro lugar em algumas edições com composições autorais junto com a banda “Código de Oz”.

Antes ainda, também se arriscara em escrever arranjos, trilhas sonoras e direção musical para espetáculos do Proteu (Projeto de Teatro Experimental Universitário), comandado por Nitis Jacon. “Até então, apesar de ter estudado piano desde criança, fazia tudo de forma muito intuitiva e, de certa forma, imitativa. Percebi que era a hora de entrar na música de maneira consciente e significativa”, diz, lembrando que a decisão de mergulhar neste universo se deu após Maurício Maestro, regente do grupo Boca Livre, o incentivar a estudar quando conheceu uma de suas obras. Assim, abandonou a Psicologia no último ano e foi aprofundar o conhecimento técnico com Hans-Joachim Koellreutter na faculdade. Não demorou e começou a dar mais vazão à sua criatividade e experimentação, resultado de inúmeras influências.
OBRAS
Em mais de duas décadas, compôs várias obras - do erudito às canções de câmara, do sacro ao infantil - para piano, violão e outros instrumentos de cordas e sopro. De lá para cá, também estudou – e muito – além de ensinar – e muito – centenas de alunos dentro e fora da universidade. “Após todos esses anos, consigo definir (um pouco) minha estética ou aspectos e fragmentos de estruturas musicais que me agradam. Leva-se muito tempo até encontrarmos uma voz própria. Acredito que seja uma busca constante”, define o compositor sobre seu perfil intitulado “crossover”, termo usado para a junção de mais gêneros que, no seu caso, une composição erudita e popular. “Minha música tem reflexo e influência de muita coisa que ouço desde pequeno. Sou um compositor muito mais ligado ao cunho pedagógico que de ofício”, brinca.
No repertório da apresentação, foram selecionadas 13 composições de Mário Loureiro divididas em três blocos: sacro, instrumental e canções de câmara. “É um concerto que dá um panorama de sua obra cuidadosamente pensada, que une muita coisa que dialoga com grandes nomes da música erudita século 20, o elemento religioso, além da música popular brasileira. Mário tem uma forma especial de ver a música como reconexão”, diz o coordenador do encontro e professor André Siqueira. Fernando Kozu, também professor do departamento, destaca a criatividade de Loureiro, que utiliza as estruturas musicais distintas de maneira sábia, além de seu trabalho como educador. “Existe um cuidado muito grande em sua composição, seja no sentido musical ou no sentido das palavras, principalmente quando da conjunção da língua falada e sons musicais. Como professor, instiga novos pensamentos e formas de sentir a música.”
PARCERIA
Amigo desde a época de faculdade, Gilson Corsaletti, percussionista da Osuel (Orquestra Sinfônica da UEL) atribui muito de suas escolhas de vida a Loureiro. “Minhas primeiras experiências musicais foram com ele, quando me chamou para fazer a percussão de algumas trilhas sonoras para teatro. Criamos uma banda de rock, a “Boca Roxa”, para tocar na festas da UEL. Já mais maduros, com a banda Código de Oz. Eu mal sabia que ali era o início de uma história que definiria minha vida. Deixamos, então, o curso de Psicologia: ele foi para a composição e eu para a rítmica. Sua generosidade em me ensinar se estendeu nos anos seguintes e essa parceria segue até hoje”, diz ele, que vai tocar em três peças no concerto.
REPERTÓRIO
O Grupo Vocal Entre Nós, acompanhado do pianista Thiago Marconato, abre o evento com a peça “Ave Maria” e “Missa Breve” (composta por Kyrie Glória, Sanctus e Agnus Dei), seguido da “Oração de Santo Agostinho” e “Metanóia” executadas por Ana Paula Miqueleti ao piano e Rafaela Mendes e Gabriel Oliveira na voz. No bloco instrumental, serão executadas as músicas “Baião” e Toccata em Choro, também com Ana Paula Miqueleti ao piano, “Miniatura: Mutações”, com Gustavo Gorla no violão, e “Aestus”, com Gustavo Gorla e Arthur Guimaraes no violão, juntamente com Vanderley Oliveira, no violoncelo.
Já no último bloco, de canções de câmara, a composição inédita “Helena”, feita em homenagem à esposa do compositor, será executada pelos filhos Henrique Loureiro, ao piano, e Daniel Loureiro, na guitarra, acompanhados de Gabriel Oliveira na voz, Gabriel Zara no contrabaixo, Gilson Corsaletti na bateria, além do quarteto de cordas Bravi composto por Wagner Collins (violino), Barbara Scarinci (violino), Jhonatan Santos (viola) e Fernanda Monteiro (violoncelo) que também irão tocar a música “Doces”, com letra de Carlos Alberto Francovig. Ainda nesta seção, Loureiro comanda o piano para acompanhar a mesma formação, porém, na voz de Miriam Hosokawa, nas canções “Anamnésia”, “Silêncio” e “Paradoxo”.
SERVIÇO:
Abertura 5º Encom (Encontro Nacional de Composição Musical)
Quando: Quarta-feira (10), às 17h
Onde: Cultural Hall (rua Prof. João Cândido, 1156)
Quanto: Gratuito (não é preciso retirar ingresso)
Programação completa: www.fml.com.br


