Concerto no Cultura Artística faz tributo a Villa-Lobos
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segunda-feira, 10 de abril de 2000
Por João Luiz Sampaio 
São Paulo, 11 (AE) - O compositor Toquinho, o pianista Arthur Moreira Lima e o maestro Amilson Godoy reúnem-se amanhã (12) para homenagear o maestro e compositor Heitor Villa-Lobos. Com uma única apresentação, no Teatro Cultura Artística, o espetáculo, patrocinado pela Congregação Israelita Paulista, conta, também, com a participação do Grupo Sinfônico Arte Viva, que conta com alguns dos principais músicos de diferentes orquestras paulistas.
O concerto é uma oportunidade de relembrar a obra do compositor, um dos principais de nossa história musical. "Villa-Lobos merece, sempre, qualquer tipo de homenagem devido à sua importância não só para a música erudita como para a música popular brasileira", diz Toquinho. No entanto, com as comemorações relativas aos 500 anos do Descobrimento, o concerto ganha, também, um outro significado. Para Arthur Moreira Lima, relembrar Villa-Lobos é resgatar toda a musicalidade do País. "Foi ele o responsável pela tradução da tradição musical brasileira, levantando a bandeira do nacionalismo", afirma.
O programa da noite é bastante expressivo. O trio selecionou peças de diferentes períodos da vida do compositor, fazendo, assim, um apanhado significativo de sua obra. "Procuramos reunir peças que indicassem o sentimento de brasilidade de Villa-Lobos que, além de compositor, foi um pesquisador cuidadoso da tradição musical brasileira, responsável pelo mais completo levantamento das atividades culturais brasileiras", informa o maestro Godoy. Foram programadas obras como "Impressões Seresteiras", "Festa no Sertão", "Trenzinho do Caipira", "Bachianas Brasileiras n.º 4" e "n.º 5", o "Quarteto n.º 1" e o "Prelúdio n.º 1". Referências - Também estão no programa obras de outros autores brasileiros que incorporaram à sua música o legado do compositor. "Nossa intenção era reunir referências musicais em torno de Villa-Lobos e, para isso, resolvemos apresentar, também
obras de compositores populares que homenagearam o músico", ressalta Godoy.
É o caso de Ari Barroso (Aquarela do Brasil), Pixinguinha (Carinhoso), Tom Jobim (Luiza), Paulinho Nogueira (Bachianinha) e do próprio Toquinho (O Bem-Amado). Autonomia - Outro ponto ressaltado por Amilson Godoy é a autonomia do concerto de amanhã à noite. "Organizamos essa apresentação sozinhos, fora das programações oficiais, o que só foi possível devido à existência do Arte Viva", afirma.
Criado pelo maestro em 1994, o grupo tem como objetivo abrir espaço para músicos e compositores brasileiros. "Essa orquestra é uma opção para os músicos, estando sempre a serviço dos compositores nacionais que dependem dos grupos oficiais", comenta Godoy. Prova disso é a participação, no concerto desta noite, do arranjador Laécio Freitas - responsável pela versão para orquestra de Luiza, de Tom Jobim - e do violonista Camilo Carrara, um dos talentos da nova geração de músicos brasileiros.
Para este ano, o grupo tem marcadas outras apresentações em homenagem aos 500 anos do Descobrimento, ao lado de artistas brasileiros e portugueses como Caetano Veloso, Milton Nascimento
Maria Bethânia e Dulce Pontes.
"Este é o momento ideal para falarmos de nós mesmos por intermédio do resgate da obra de outros compositores como Camargo Guarnieri e Souza Lima que, como Villa-Lobos, ajudaram a construir nossa identidade musical", conclui o maestro Godoy. Serviço - "Sons do Brasil - Tributo a Villa-Lobos". Com Arthur Moreira Lima, Toquinho e Grupo Sinfônico Arte Viva sob regência de Amilson Godoy. Duração: 1h15. Quarta, às 21 horas. De R$ 35 00 a R$ 90,00. Teatro Cultura Artística - Sala Esther Mesquita. Rua Nestor Pestana, 196, tel. 258-3616, São Paulo.


