Concerto de humor lírico e malandro
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 29 de maio de 1997
Telma Elorza 
Marcos BorgesTrio Maracassé: contorcionismo e malabarismo roteirizados como espetáculo teatralSe o Que-Cir-Que faz mistério sobre seu espetáculo, o mesmo não acontece com os conterrâneos Le Trio Maracassé, também representantes do novo circo francês. O trio, formado por uma contorcionista/malabarista, um malabarista e um percusionista, apresenta hoje, às 19 horas, no Teatro Zaqueu de Melo, o espetáculo Bal.
Bal (Baile, em português) é uma sutil combinação entre as artes circenses e da música, num concerto de humor lírico e malandro, roteirizado como um espetáculo teatral. A história é simples: três pessoas - de mundos diferentes - se encontram casualmente e não conseguem se comunicar. As tentativas feitas na comunicação resultam em momentos de muita comicidade até que encontram uma maneira compreensível para todos, atingindo a integração.
Bal é o primeiro espetáculo do trio e foi montado há quatro anos. Durante este tempo foi apresentado na França, Aústria, Alemanha, Turquia, Oriente Médio, Laos, Vietnan, Malásia e Indonésia. Há três semanas está rodando o Brasil, com apresentações em São Paulo, São José dos Campos, Santos, Salvador, Recife, Fortaleza e Belém. Depois de Londrina, voltam para a Europa.
Integração de artes Segundo o malabarista Vincent Filliozat, o espetáculo é o resultado de uma idéia que teve quando foi assistir a um show do percursionista Bertrand Boss. Cada um de nós vinha de trabalhos anteriores, diversificados, e conhecíamos uns aos outros. Um dia, fui assistir ao show de Bertrand. Quando o vi fazendo música com chocalhos redondos, percebi a semelhança que tinha com os objetos do malabarismo. E viajei naquilo. Quis fazer algo que pudesse dar ao público a mesma impressão que tive - explica.
A Filliozat e Boss, juntou-se a malabarista e contorcionista Jeanne Mordoj. A partir disso, o trio começou a desenvolver idéias. Mas foi o diretor Michel Boullerne que construiu a trama e reuniu os elementos dando uma dimensão teatral ao trabalho. Com os técnicos de som, Michel Richard, e de luz, Gilles Cornier, como aliados, o espetáculo estava montado. A gente não pode separar o som e a luz porque estes elementos são essenciais, quase como dois atores no palco - afirma.
Novo circoEmbora trabalhem com jogo cênico, os artistas preferem dizer que o espetáculo pertence ao novo circo. Nós pegamos elementos do circo clássico para fazer um novo tipo de espetáculo. A proposta inicial é misturar o malabarismo e o contorcionismo - duas linguagens tradicionais circenses - com a música. O teatro serve como complemento. Disto resulta uma coisa integrada, que não pode ser separada com denominações: isto é teatro, aquilo é circo, aquele outro é música. Os elementos funcionam juntos - explica Filliozat.
Fugindo do trabalho demonstrativo do circo clássico, o espetáculo do Le Maracassé tem uma grande integração com a platéia, embora tenha sido idealizado para espaços fechados. Para nós, a reação do público é fundamental porque é nesta observação que estamos sempre melhorando e dinamizando o novo circo. No circo clássico não há isto. Ficou estagnado na forma que era apresentado há um século. E o público, acostumado com as inovações da mídia, não busca o circo mais como uma fonte de maravilhas- critica.


