Concerto de esclarecimento
Zeca Corrêa Leite
De Curitiba
O glamour sinfônico paranaense está deteriorado, segundo os músicos da Orquestra Sinfônica do Paraná. Na quinta-feira, dia 19, às 20h30, a OSP realiza um concerto no Canal da Música para expor ao público sua real situação, muito mais penosa do que possa parecer. Ao contrário de outros anos, quando o poder de pressão eram as greves, agora a decisão é mais amena: realiza-se uma sessão com um programa popular para levar à platéia as inquietações dos profissionais.
Não vamos parar, afirmou o violoncelista Jasson Passos, membro da comissão sindical da OSP. Mas a luta por melhores condições de trabalho continuará. Os músicos estão decepcionados com a resposta do governo em não conceder aumento salarial. Eles querem um piso de R$ 2.500,00, muito além dos R$ 900,00 a R$ 1.200,00, que recebem hoje.
Os valores atuais são insuficientes para manter a profissão, disse Passos. Além dos gastos pessoais, é do ordenado deles que saem os gastos para a manutenção dos instrumentos. Um jogo de cordas para violoncelo, que deveria ser trocado a cada três meses, custa 286 dólares.
Com o que a gente recebe fica praticamente impossível manter o instrumento e arcar com as despesas das roupas. Temos que nos apresentar de smoking e as mulheres com traje de gala. Se quisermos adquirir outro instrumento, teremos que gastar entre 7 mil e 20 mil dólares. A profissão é onerosa e chegou a um ponto em que o músico não tem mais alternativas de sobrevivência, comentou.
A OSP está com 58 músicos, quando o ideal para um corpo sinfônico seriam 110. A evasão dos profissionais para outras orquestras se dá pelos vencimentos oferecidos em outros Estados. O desfalque limita, de imediato, o repertório dos concertos. Há seis anos estamos negociando com o governador para termos um plano específico, mas até agora só tivemos promessas, criticou Passos.
Ele disse que a situação vivida no momento é pior que das vezes anteriores. Somos nós que estamos sustentando a orquestra, não é o Estado. Este é um patrimônio cultural que não pode morrer. De que adianta o Canal da Música se ninguém o utiliza?
Será nesse prédio que a OSP receberá o público na quinta-feira - entrada franca - para executar um concerto formado por obras de Tchaikowsky, movimentos que se tornaram populares e temas de filmes.





