Concerto comemora 3 anos do Neuma
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sexta-feira, 23 de outubro de 1998
Ranulfo Pedreiro 
O grupo Neuma - Neuma Ensemble Universitário de Música Antiga - está completando três anos de pesquisa e execução de obras compostas entre os séculos 9 e 15, incluindo melodias medievais, renascentistas e barrocas. A data será comemorada amanhã com um concerto, a partir das 20h30, no Cine-Teatro Ouro Verde.
O programa da apresentação inclui obras perpetuadas em manuscritos medievais como o Codex Carmina Burana, uma compilação de músicas registradas durante o século 12. O concerto traz também músicas do Libre Vermell de Montserrat, do século 14; do Codex Cyprus, também do século 14; do Buxheimer Orgelbuch, do século 15, e de Thibaut de Champagne e Guillaume Dufay.
As obras são da tradição trovadoresca européia e apresentam momentos de improvisação característicos da época. As músicas do Carmina Burana, por exemplo, inspiraram Carl Orff, e as do Codex Cyprus são uma espécie de jazz refinado da Idade Média, que armazenava a influência de músicos italianos que migraram para a ilha de Chipre, explica Elimar Plínio Machado, diretor musical do Neuma.
Ao destrinchar obras de vários períodos, o programa também mostra a variedade de estilos e as diferentes estruturas musicais desenvolvidas no período medieval. O repertório abrange a estética francesa, italiana e o resultado da confluência desses dois estilos, que entrou em voga no século 15. Essas músicas são praticamente desconhecidas do grande público, porque a tradição de pesquisa e interpretação de música antiga ainda não conquistou espaço de destaque no Brasil.
O Neuma é um dos resultados da transferência do grupo londrinense Arabesco para a Suíça, ocorrida no início da década. Elimar Machado, que estudou com outros integrantes do Arabesco na Schola Cantorum, em Basiléia, voltou a Londrina ao final do curso para fundar na cidade um núcleo de estudos de música medieval.
Sou funcionário da Universidade Estadual de Londrina, e como a instituição me deu permissão para estudar fora, nada mais justo que voltar e aplicar aqui esse conhecimento, ressalta Elimar.
O músico assegura que a falta de destaque para a música medieval no Brasil às vezes pode causar a impressão de que se trata de uma novidade. A música antiga dentro da prática de concerto da música brasileira aparece menos e fica como uma coisa nova, mas não é, afirma.
Para Elimar, a música medieval oferece vários recursos: Não há uma determinação de quem faz o quê, e abre espaço para a improvisação no estilo e na forma da execução. O surgimento do Neuma também propiciou alternativas para o público e para a própria universidade, segundo o músico: O público recebeu uma opção a mais de atividade musical em apresentações abertas, e a universidade tem um grupo menor que a orquestra para realizar determinados eventos.
Desde o início do projeto, já passaram 22 pessoas pelo grupo. Elas estão com uma outra visão a respeito de aprender música, e propagam o conhecimento medieval que adquiriram, acrescenta. A idéia do projeto é desenvolver, a longo prazo, uma ópera barroca em Londrina.
Além disso, o Neuma está programando a gravação de um CD com repertório de músicas espanholas e portuguesas em homenagem aos 500 anos do descobrimento. Mas, para viabilizar o disco, o grupo esbarra na falta de patrocínio.
O concerto de amanhã contará com a participação especial do flautista piauiense Francisco de Assis Melo Valadares e de Janaína Paiva Garcia Sá na percussão e metalofone. A entrada é franca, e o Cine-Teatro Ouro Verde fica na Rua Maranhão, 85, em Londrina. O Neuma também está selecionando músicos para o projeto. Os interessados poderão participar dos testes nos dias 5 e 6 de novembro, às 10 horas, na Divisão de Música da Casa de Cultura da UEL, na Rua Senador Souza Naves, 9, 11º andar, em Londrina.


