Concerto cênico leva
mais lirismo ao palco
De CuritibaDepois de São Paulo, Curitiba será a primeira cidade a ter o privilégio de assistir ‘‘Dois’’, no Guairão. O concerto cênico, marcado para as 11 horas da manhã, é um programa para um público de todas as idades porque alia música com a magia das cores, formas e movimentos. ‘‘O espetáculo tem uma hora de duração e momentos muito líricos, irônicos, extremamente bem-humorados, usando a linguagem do cartoon, do cinema’’, descreve o maestro Jamil Maluf.
O que acontece é que a música ‘‘Os Planetas’’ do compositor inglês Gustav Holst, escrita em 1917, ganhou imagens. São mais de 60 bonecos criados especialmente para palcos amplos, como do Guaíra, que levitam como se estivessem suspensos no cosmos. Os manipuladores não aparecem em cena porque a técnica é do teatro negro: eles se vestem de preto, confundindo-se com a cortina. As tintas dos objetos refletem intensamente sob a luz negra, dando a sensação de que cada peça traz consigo iluminação própria.
A cena que se passa no palco não conta uma história linear. A música de Holst, que segundo o maestro é ‘‘uma obra para grande orquestra, virtuosística, tão difícil quanto uma peça de Stravinsky’’, divide-se em sete movimentos, cada um deles dando um significado aos planetas até então conhecidos na época: Marte (o portador da guerra), Vênus (o portador da paz), Mercúrio (o mensageiro alado), Júpiter (o portador da alegria), Saturno (o portador da idade antiga), Urano (o mágico) e Netuno (o místico).
O título do espetáculo, ‘‘Dois’’, ampara-se numa anotação deixada por Clarice Lispector: ‘‘A criação não é uma compreensão, é um novo mistério.’’ Assim, a criação do universo e o surgimento da vida são mistérios que casam, mesmo para quem transita no ano 2000.

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