Oficializado em junho como regente titular da Orquestra Sinfônica da Universidade Estadual de Londrina (OSUEL), Wagner Polistchuk, 38 anos, natural de Santo André, São Paulo, faz hoje sua estréia em concerto de gala no Cine-Teatro Ouro Verde, a partir das 20h30. O repertório, que traz a música ''Djopoi (Oferenda)'', do compositor mineiro Edmundo Villani-Cortês; a ''Sinfonia nº 5 (em si bemol maior / quatro movimentos)'', de Schubert; e a ''Sinfonia nº 4 (em ré menor / três movimentos)'', de Schumann, caracteriza-se, segundo o maestro, ''pelo romantismo''. A opção por uma certa suavidade na seleção possibilitou ao regente trabalhar ''a expressividade nas notas'' de cada músico e, dessa forma, ''obter um equilíbrio, um balanço no conjunto, que permite uma leitura diferente das peças musicais escolhidas''.
Para conciliar o posto de trombonista da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (OSESP), onde atua desde 1986, com o de regente da OSUEL, recém-conquistado, Polistchuk procura dividir bem o seu tempo, propondo-se a ficar, todo mês, duas semanas na capital paulista e outras duas em Londrina. Conta ainda, para auxiliá-lo em seu trabalho à frente da orquestra, com o maestro- adjunto Henrique Vieira, igualmente selecionado em concurso recente da OSUEL. ''Somos jovens'', comenta, o que facilita o alcance de ''coerência nas idéias musicais''.
O trombone, instrumento no qual se formou pela Faculdade Mozarteum de São Paulo, especializando-se posteriormente com o professor Branimir Slokar, na Alemanha, conquistou-o quando contava dez anos de idade e marchava, orgulhoso, na banda de sua escola. ''Foi o instrumento que me escolheu'', afirma, lembrando que, na época, precisavam de alguém que tocasse o trombone e coube a ele a tarefa. Mas o gosto, o apreço e o prazer vieram junto e naturalmente. Logo, ele estava incursionando pelo estudo da música erudita, a partir do trombone, e experimentava vez ou outra visitar o jazz e a música popular brasileira, tocando com artistas como Roberto Carlos, Simone e o extinto grupo Rádio Táxi. Em defesa do instrumento, nem sempre muito valorizado, Polistchuk comenta que ''o som do trombone assemelha-se ao da voz humana'' e, nessa medida, consegue equilibrar força e delicadeza, pois ''tanto pode fazer um nenê dormir, quanto derrubar paredes''.
Tal qual o trombone, a regência entrou em sua vida assim como quem não quer nada, flertando com ele. ''Dei muitas aulas em Festival de Música'', rememora, ''e, no fim, sempre era convidado a reger a orquestra formada pelos alunos''. Querendo fazer melhor o que parecia estar a ele predestinado, aprofundou seus estudos na área com renomados maestros como Eleazar de Carvalho, Dante Azolini, Ronald Zollmann, Andreas Sporri e Roberto Tibiriçá, e há seis anos, em paralelo à sua atividade como instrumentista, vem se apresentando à frente das mais importantes orquestras brasileiras. No exterior, entre outros reconhecimentos de peso, obteve o terceiro lugar no Concurso Internacional de Regência Prix Credit Suisse, em Grenchen, na Suiça, regendo a Sinfônica do Museu Hermitage, de São Petersburgo.
Contando com uma pequena orquestra em sua própria casa, já que a filha, de 9 anos, toca violoncelo, o filho, de 10, flauta, e sua esposa é cantora lírica soprano, com atuação no Coral Lírico do Teatro Municipal de São Paulo, o exigente maestro encara a regência como ''algo muito visual'' e que, ao estilo de um de seus mestres, Eleazar de Carvalho, se baseia em firmeza e concentração. Transpondo essas características para a sua vida, Polistchuk não define planos a longo prazo. ''A princípio'', afirma, ''quero fazer um bom trabalho em Londrina''.

Serviço
- Concerto de Gala da Orquestra Sinfônica da UEL, com regência do maestro Wagner Polistchuk. Hoje, às 20h30, no Cine-Teatro Ouro Verde. Entrada franca

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