CONCERTO - Quarteto de Brasília faz única apresentação em Curitiba
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terça-feira, 17 de setembro de 2002
Equipe da Folha 
Curitiba - O Quarteto de Brasília, cartaz desta noite do 3º Festival de Música de Câmara de Curitiba, é um dos ícones camerísticos nacionais. Com 16 anos de existência, quatro CDs e um prêmio Sharp, entre outros, além de bem-sucedidas excursões ao exterior, é uma atração imperdível para quem gosta da boa música. No programa serão executadas peças de Mozart (Quarteto K.V. 387) e Grieg (Quarteto opus 27). O concerto tem início às 20 horas, com ingressos a R$ 1,00.
Na estrada há 16 anos, o grupo formado por Ludmila Vinecka e Cláudio Cohen (violinos), Glêsse Collet (viola) e Guerra Vicente (violoncelo) tem uma história de êxito a ser contada, mas é claro que há muita persistência por trás da sonoridade das cordas. Num País que se abre para a banalização como se fosse o supra-sumo cultural, vencer com propostas mais consistentes é quase uma ilusão. Mas os quatro amigos conseguiram, e hoje contam até mesmo com um estúdio próprio, onde gravam seus próprios discos e de outros músicos.
Um novo CD do grupo ''Turíbio Santos e Quarteto de Brasília'' deverá chegar ao mercado no primeiro semestre de 2003, trazendo obras de Vivaldi, Giuliane e Boccherini. Para concluir o trabalho faltam somente ''umas últimas correções'', segundo o violoncelista Guerra Vicente. Enquanto esses detalhes são resolvidos, o conjunto prepara-se para entrar novamente em estúdio.
O próximo trabalho terá a presença do clarinetista Wilfred Berk para execução das peças do inglês Arthur Bliss e de Karl Weber. Compositor contemporâneo, Bliss é desconhecido pelo público brasileiro, porém seu trabalho é ''muito bonito'', elogia a violista Glêsse.
O violinista Cláudio Cohen comentou sobre a importância do Concurso Bianca Bianchi, criado pelo Festival de Música de Câmara, que possibilita aos jovens músicos concorrerem a viagens e apresentações em outras capitais. A oportunidade se dá com o apoio dos grupos convidados que têm prestígio para abrir as portas aos novatos. No caso do quarteto brasiliense, o prêmio é ainda mais ambicioso: a gravação de CD.
Guerra Vicente acredita que dado o primeiro empurrão, pode-se resultar numa cadeia para os talentosos iniciantes. Outro aspecto interessante é que o concurso mostra ao instrumentista que ele tem que sair em busca de divulgação, apesar de todos os percalços. ''Quem trabalha com música erudita está muito voltado ao estudo, ao laboratório. A nossa tendência é nos voltarmos para dentro e esquecemos da divulgação, que é algo que o pessoal de música popular faz muito bem'', observa.
A gravação de um CD queima múltiplas etapas, porque entre a proposta, a execução e finalização de um projeto discográfico é comum o artista sentir-se perdido. Os músicos do quarteto, em que pese toda sua importância, só vieram a gravar em 1993 pela dificuldade em se achar nesse território. ''Os caminhos são tortuosos. Nem a gente sabia como fazer'', confessam em uníssono.


