''Convenhamos: para dar conta desse papel (de pai, de eduxador) o adulto precisa estar disponível, já que, em geral, essa é uma tarefa que dá bastante trabalho. Entretanto o trabalho maior não é o ato de cuidar em si. O que é trabalhoso de fato é o ato de cuidar como ensinamento, como introdução gradual à vida, como educação que visa a autonomia, e não apenas como tarefa a cumprir.
(...)
Dar autonomia a crianças e adolescentes que ainda não atingiram a possibilidade de exercê-la é, na verdade, ausentar-se da vida deles, abandoná-los à própria sorte, abdicar do papel de educador tanto na função de pais quanto na de professores.
(...)
Muitos pais e professores afirmam que a autoridade que eles representam não tem sido respeitada pelos mais novos. Encerro, então, esse assunto propondo uma reflexão, estimulada por uma frase do filósofo espanhol Fernando Savater: 'Não são as crianças que se rebelam contra a autoridade educacional, são os adultos que as induzem a se rebe®MDNM¯lar, precedendo-as nessa rebelião'. É dessa forma que os adultos se desvencilham do papel educativo que lhes cabe.''

Fragmentos de crônica de Rosely Sayão, que escreve semanalmente no suplemento Folha Equilíbio, da Folha de São Paulo.

mockup