Se considerarmos a proposta de Vanusa, a partir da exposição em cartaz no MAC podemos traçar um panorama do momento vivido pela arte abstrata nos anos 60, em especial, bem como da década anterior e dos desdobramentos que se seguiram a essa fase. De acordo com a curadora Ana Paula França, até a Segunda Guerra Mundial, a abstração formal dominava o discurso das artes plásticas. Predominavam o racionalismo e o concretismo. ''A arte moderna tendia sempre a buscar uma abstração mais seca, com formas geometricamente precisas'', explica. Já no pós-guerra houve uma aproximação com o design. E num momento seguinte os artistas passaram a considerar o contexto em que a obra é observada como um fator determinante do resultado produzido por ela no espectador. ''Eles perceberam que o modo como eu vejo é sempre cultural'', pontua a curadora.
Seguindo essa tendência Anatol Wladyslaw buscou aliar em sua obra dois conceitos que até então eram antagônicos: o abstracionismo e o simbolismo, este para ampliar o campo de compreensão criado a partir daquele. Mas antes dessa fase, em 1952, o artista integrou o grupo Ruptura, resposável pelo primeiro manifesto de destaque do abstracionismo no Brasil, junto com artistas como Waldemar Cordeiro, Geraldo de Barros, Lothar Charoux, Kazmer Féjer, Leopoldo Haar e Luís Saciolloto.
A desconfiança em relação ao racionalismo da arte abstrata, foi declarada pouco depois, ainda nos anos 50. Nesta exposição, Wladyslaw está acompanhado de Anna Bella Geiger, Antônio Arney, Antônio Bandeira, Antônio Lizárraga, Arcangelo Ianelli, Érico da Silva, Fernando Calderari, Fernando Velloso, Farnese de Andrade, Fayga Ostrower, Helena Wong, João Osorio Brzezinski, Mira Schendel, Raul Porto, Tomie Ohtake, Tikashi Fukushima, Yolanda Mohalyi, Vera Mindlin e Walter Gomes da Costa.
As obras do artista polonês, falecido em 2004, foram doadas ao acervo do Museu de Arte Contemporânea do Paraná pela viúva Blanka Wladislaw, em 2006, e recentemente passaram por restauração.

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