Conceito que desafia limites
PUBLICAÇÃO
sábado, 28 de janeiro de 2017
Marian Trigueiros<br>Reportagem Local 
Ainda que exista muito preconceito, a arte urbana no Brasil, ou simplesmente de rua, se consolidou como manifestação artística, apesar de ser uma forma não institucionalizada em museus e galerias. Esta abrange diversas frentes que vão muito além do grafite, são diferentes técnicas e modalidades que interagem com a cidade como stencil, lambe-lambe, instalações, tag, adesivo, bomb, grapixo e, também, a pichação. Algumas, contudo, são mais bem aceitas que outras que ainda são consideradas marginais ou vandalismo. Especificamente sobre o fenômeno do grafite, nasceu nos anos 70, nos 80 consolidou-se embebido da cultura hip hop e depois mesclou-se com o mundo da arte por meio de Basquiat, Haring e Warhol, chegando ao século 21 como uma linguagem nova criada por artistas como Banksy, Blu, JR e os brasileiros OsGemeos, Nunca, Speto e Nina Pandolfo e o mais recente Eduardo Kobra.
Espontânea, desordenada e de certa forma efêmera, a arte urbana desafia conceitos. A artista plástica e docente aposentada do Departamento de Arte da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Iara Strobel, atenta que é difícil categorizar ou classificar este tipo de arte, pois trata-se de um universo grande e indomável. "Tudo muda conforme onde, quando e porque foi feito, pois essas variações se alteram conforme o período, as convenções sociais e padronagem estética de uma época. Escritas hieroglíficas egípcias, hoje, são parte da história, tal como as paredes da cidade petrificada de Pompeia. O fato de pessoalmente não gostar de um resultado, não pode valer como critério, tampouco questões partidárias."
Diante disso, a avaliação individual de cada manifestação seria o ideal, porém, não baseada em subjetividades. "Uma intervenção em determinado espaço e comunidade pode carregar muito significado, inclusive afetivo. Em outro local, uma agressão, algo desagradável. Por isso é complicado estabelecer um limite até onde é arte ou determinar por um decreto com critérios comuns apenas de um grupo. Considero importante ponderar questões como se a intervenção coloca em risco a segurança pública ou o custo de tornar isso reversível. Mas manifestações em espaços tombados ou históricos, para mim, é crime. O Conselho Municipal de Cultura da cidade poderia aconselhar sobre essas decisões", sintetiza. (M.T.)


