''Aprendi a ser mais solidário'', comenta Tiago de Abreu Pires, 15 anos, referindo-se a uma das lições mais marcantes de sua experiência na ''Páscoa Juvenil'', evento que vem sendo organizado há 5 anos pelo Colégio Marista de Londrina, com o propósito de contribuir para a melhoria da qualidade de vida em comunidades carentes. Na Páscoa deste ano, o grupo de 45 pessoas, entre alunos, ex-alunos, pais, professores e funcionários do colégio, deslocou-se para o distrito de Lerroville, a 60 km de Londrina. Alojados no colégio estadual local, passaram três dias na comunidade, visitando famílias carentes, trocando idéias sobre cidadania, realizando atividades recreativas com as crianças e participando de celebrações religiosas, como a ''Missa do Lava-Pés'', ''Paixão'' e ''Via-Sacra'', com a presença do arcebispo Dom Albano Cavallin.
A preparação para essa prática da solidariedade tem início dois meses antes e envolve todos os alunos do colégio, cerca de 2.100 jovens, convidados a colaborar com um quilo de alimento não perecível, para a formação de cestas básicas. De acordo com o irmão Gilmar Hellmann, assessor de pastoral do Marista, este ano ''obtivemos uma tonelada e meia de alimentos ou 106 cestas, com 15 quilos cada, representando a participação de quase 70% do total de alunos''. Antes que o grupo parta para sua missão na comunidade escolhida, no entanto, como revela o professor e também assessor de pastoral Moacir Szekut, os participantes conscientizam-se de que estão representando os demais. Na volta, com todas as atividades do evento filmadas e fotografadas, eles também se encarregam de fazer um relato para os colegas do que foi vivenciado na experiência.
Mariana Torcatto, 16 anos, que participa pela segunda vez da atividade, certamente irá comentar com os amigos sobre a realidade difícil que observou em Lerroville. ''Às vezes, as pessoas não têm o que comer'', afirma, ''e contam apenas com o sopão, servido na paróquia''. Surpreendeu-a perceber que, apesar disso, não deixam de exibir um sorriso no rosto. ''Isso nos faz valorizar mais a nossa vida'', reflete, ''pois a gente costuma reclamar por tão pouco!'' É também o que pensa Fernando Chaves, 18 anos, ex-aluno do Marista de Palmas, no Tocantins, e que está em Londrina há pouco mais de um mês. Ele acrescenta que ''esse trabalho nos ajuda a crescer espiritualmente, fazendo-nos melhores para a volta ao nosso cotidiano''. Alguns jovens, contudo, têm preconceito em participar de eventos assim, como explica Fernando Maziero, 17 anos, aluno do terceiro colegial do Marista de Londrina. Uma das razões é que ''a gente fica conhecendo uma realidade muito diferente daquela nossa boa vidinha diária'', avalia, ''mas isso só enriquece o nosso eu, contribuindo para um aprendizado pessoal, que ajuda a aprimorar nosso jeito de pensar e nosso caráter''.
Helena Santos Lima, mãe de Felipe, 16 anos, outro participante da ''Páscoa Juvenil'', dá seu apoio integral a essa experiência extra-curricular com os jovens, até mesmo se incluindo no grupo. ''É bom que eles saibam que o mundo não é só a realidade de suas próprias vidas'', afirma. Na outra ponta, a comunidade agradece a solidariedade. Seu Joaquim e dona Augusta Bueno, um casal de idosos que vive sozinho ele, aposentado e doente , deram muito valor à conversa que mantiveram com os participantes do grupo e à cesta básica, recebida na manhã de sexta-feira. ''Veio em boa hora'', conta seu Joaquim, ''a gente tava precisando encher a barriga''. Nair Rodrigues da Silva, com duas filhas de 14 e 15 anos, e sua vizinha Geni Palhano, com cinco filhos, sendo que o caçula, Daniel, com apenas 1 ano e 2 meses, trabalham como ''bóias-frias''. O dinheiro é pouco e incerto para fazer frente às despesas do dia-a-dia. Por isso, ficaram aliviadas com o recebimento da cesta básica, uma para cada família. ''Pra hoje a gente já tem'', comenta Geni, falando pelas duas, ''amanhã, só Deus é quem sabe''.
A ''Páscoa Juvenil'' do Marista visa ser solidária no combate à fome, fortalecer a religiosidade, com a realização de cerimônias relacionadas à Semana Santa, mas também proporcionar recreio e diversão, especialmente às crianças. ''Na quinta-feira, reunimos cerca de 700 crianças na nossa rua de recreio'', conta irmão Gilmar, ''para uma série de atividades divertidas, propostas pelos nossos jovens, e para distribuir saquinhos de doces e lanches''. Como constata Fernando Maziero, ''é só ver o sorriso das crianças pra gente achar que valeu a pena nossa participação''.

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