Na Vila Cultural Gibiteca Zona Norte, no Conjunto Aquiles Stenghel (região norte), duas vezes por semana, cerca de 30 alunos do quinto ano das escolas municipais Moacyr Teixeira e Ruth Lemos, de Londrina, têm um encontro marcado após as aulas para participar de oficinas de mídia e educação do projeto "Meu filho repórter". A iniciativa, que começou em outubro, integra o trabalho de pesquisa da jornalista Beatriz Pozzobon Araujo para a conclusão da especialização em Comunicação Popular e Comunitária da Universidade Estadual de Londrina, com orientação da professora Luzia Deliberador. A vila cultural é mantida pela associação de moradores e tem patrocínio do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic) desde 2012.
E no ambiente simples e bem cuidado, as crianças têm a oportunidade de ter acesso a uma forma diferenciada de aprendizagem, em que por meio de oficinas práticas vão tendo mais condições de elaborar a própria visão de mundo e conquistar um olhar mais crítico da realidade. Divididas em cinco etapas, as oficinas contemplam os seguintes módulos: Identidade, Cidadania, Relação com a comunidade, Leitura Crítica da Mídia e Oficinas sobre o jornal impresso. O objetivo até o final do mês é conseguir elaborar um jornal comunitário com textos produzidos pelas crianças dentro da proposta de desenvolver a mediação entre os jovens e a mídia para a formação de jovens participativos e comprometidos com a sua realidade.
"Já estamos na fase final da produção dos textos e eles estão bastante motivados. A ideia de começar falando de identidade foi para promover neles uma reflexão sobre si mesmos e que observassem o seu bairro, com seus aspectos positivos e negativos. O objetivo principal é que consigam valorizar o contexto em que estão inseridos e que eles podem desde criança atuarem para modificar a realidade, como cidadãos que já são. Sempre falo para eles que cidadania não é só votar, envolve uma série de direitos e deveres", destaca Beatriz, que nas oficinas conta com o apoio do cientista social Rafael Simonetti, que também está concluindo a mesma especialização.
Tendo como ferramenta pedagógica o jornal impresso, no caso a Folha de Londrina, Beatriz fez uma série de atividades para explicar a estrutura do jornal, da notícia, a composição dos cadernos, os gêneros de texto, com explicações detalhadas de cada parte do jornal. Na última quarta-feira, os alunos tiveram que reescrever o "lead" (texto de abertura da matéria) da edição da semana passada do Folha Cidadania, que foi sobre um projeto de jornal escolar em Jataizinho. Atentos e observadores, eles tinham que identificar as respostas das seis perguntas básicas que teoricamente o lead deveria trazer: O quê? Quem? Quando? Onde? Como? Por quê?. Cartazes sobre o jornal também foram confeccionados pelos alunos para tornar mais concreta essa etapa da aprendizagem.
De forma descontraída e gradativa, eles vão desvendando um universo de informações aparentemente muito complexo e conseguem se apropriar de vários conceitos que ajudam na criação das próprias notícias, relacionadas à vida deles, ao bairro e às melhorias que precisam acontecer. Os registros fotográficos que eles fizeram também motivaram algumas reflexões interessantes, como o problema do descarte inadequado do lixo nos terrenos do bairro e a pichação nas escolas. Já na aula de leitura crítica da mídia, programas televisivos como Icarly e Rebeldes foram debatidos, assim como a influência da propaganda para o consumismo infantil. Um passo importante para a democratização do saber.

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