Curitiba Desde o início do mês, a programação da Rádio e TV Educativa do Paraná (RTVE) está sendo transmitida em todo o Brasil, se estendendo para parte da América Latina. Mesmo com estrutura precária em Curitiba, principalmente depois das chuvas que atingiram o Canal da Música prédio onde a RTVE funciona atualmente , em julho, a televisão paranaense está conseguindo produzir quase oito horas de programação diária na Capital. É essa programação que tem como carro-chefe o jornal local e vários pequenos programas de serviço à população que está chegando a centenas de cidades brasileiras.
O alcance está sendo possível graças a um acordo com a Embratel e a uma tecnologia de transmissão que custa R$ 200 mil mensais para o governo paranaense. O investimento equivale ao orçamento mensal herdado do governo Jaime Lerner (PFL) para a RTVE. Diante da nova aquisição, o orçamento está tendo que ser suplementado para cobrir também as despesas de produção e pessoal.
Essa é a primeira vez que a tevê paranaense tem um alcance maior do que o território de Curitiba e região metropolitana. O governo anterior já tinha tentado ampliar esse alcance através do Canal Paraná, projeto que previa a transmissão da programação curitibana para todo o Estado.
O Canal Paraná ficou menos de um ano em prática e acabou deixando como saldo uma dívida com a Embratel, já que os custos da trasmissão não foram quitados. Ao que tudo indica, o novo governo está tentando deixar a antiga briga de lado e começar novo relacionamento com a empresa de telecomunicações. Para isso, trocou a tecnologia de transmissão adotada anteriormente por uma bem mais moderna, que permite um alcance não só para todo o Estado como para todo o Brasil e um bom trecho (ainda não especificado) da América Latina.
A presidente da RTVE, Berenice Mendes, explica que a programação da tevê é levada para outras cidades pelo satélite B1, um satélite que permite a captação direta por antenas domésticas. ''Foi um jeito que encontramos de melhorar a transmissão para o Paraná, mas acabamos obtendo alcance maior'', comemora. Berenice atendeu à Folha na sua atual sala, improvisada no palco de um dos auditórios do Canal da Música. O prédio que abriga a tevê já sofria com a falta de estrutura antes de ser atingido pela tempestade de julho, mas com a chuva que invadiu o espaço, destruindo salas e equipamentos, a televisão teve um prejuízo de cerca de R$ 300 mil.
Berenice admite que a situação está precária e o orçamento curto, mas vislumbra tempos melhores. ''Já estamos em processo de licitação para adquirir novos equipamentos. Depois de melhorarmos nossa infra-estrutra vamos começar a pensar em novos programas'', adianta.
Atualmente, a TVE produz duas edições do jornal local (Jornal da Educativa), o programa cultural ''Enfoque'', o programa ''Alegria de Viver'', ''Bate Papo'', além de reportagems especiais, ''Minuto da Notícia'' e pequenas inserções diárias de serviço à população. A meta, até o final do ano, é colocar no ar um programa de debates envolvendo a imprensa paranaense e para o próximo ano, devem começar a ser produzidos programas voltados à educação e esporte.
Com tanta proposta, Berenice pretende, é claro, aumentar o orçamento dedicado á TV Educativa atualmente. ''Queremos ficar entre R$ 10 e R$ 15 milhões, que é o mínimo para podemos fazer uma programação de qualidade'', diz a presidente. Enquanto isso, a programação deve se dividir entre a produção local e a retransmissão da TV Cultura, que atualmente ocupa seis horas da grade de programação diária da emissora.

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