COMUNICAÇÃO - Dos bastidores da notícia à sala de aula
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segunda-feira, 13 de agosto de 2007
Francismar Lemes<br> Reportagem Local 
Houve um tempo em que o jornalismo era movido a romantismo. Época em que jornalistas, como Nilson Monteiro, poeta e cronista que se orgulha em dizer que é pé-vermelho de coração, enchiam o peito para afirmar que o bom repórter tem tinta no sangue. Porém, desde que Gutenberg inventou a imprensa, o jornalismo se transformou, ganhando até versões que mais o aproximam do show e espetáculo.
Um fenômeno que chegou embrulhado nas novas tecnologias, que apagaram das redações, o jeito quase artesal de fazer jornal em que o jornalista sujava as mãos de tinta para colocar uma manchete nas ruas.
Apesar das mudanças na arte do jornalismo, o ofício de transformar os fatos em notícias ainda desperta o interesse de muitas pessoas. Tanta curiosidade em conhecer os bastidores da notícia, levou um grupo de 30 alunos da sétima série do Pontual Centro de Ensino a produzir um jornal em sala de aula.
Sob a orientação do professor de Português Flaviano Ricardo Lopes, os estudantes partiram numa viagem pelo mundo da informação. A plataforma de embarque até o destino final, a produção do próprio jornal, foi uma visita à redação e ao parque gráfico da FOLHA.
Como se estivesse numa fábrica de reportagens, a turminha trocou idéia com os ''operários da notícia'' - chavão da velha-guarda para designar os jornalistas que, no tempo da máquina de escrever, entravam noite adentro para que as matérias, no dia seguinte, chegassem quentinhas nas mãos dos leitores.
''Quando falamos da visita à redação do jornal, os alunos ficaram em polvorosa. O nosso objetivo com esse trabalho foi aplicar os conteúdos da disciplina, como a interpretação e produção de textos, coerência, coesão e concisão'', destaca Lopes.
O professor lembra que para a maioria dos estudantes, a redação de um jornal era um lugar quase mítico e os jornalistas gente que só existe na televisão.
Ao voltar para a sala de aula, o grupo de alunos pôs a mão na tinta, decidindo que iria fazer um jornalzinho como se estivessem numa redação de verdade.
Os pequenos jornalistas se reuniram em editorias, discutiram as pautas e, munidos de blocos de anotações e gravadores, foram apurar as informações.
''A orientação foi que tentassem pautar assuntos relacionados não só com a cidade, mas com a região próxima ao colégio. Cada uma das editorias, como as de esporte, cidades e cultura, deveria ter editor, fotógrafo e repórteres. Alguns grupos fizeram até pesquisas de opinião sobre temas de interesse do nosso bairro'', comenta o professor ao ressaltar que os alunos, dublês de jornalistas, afinaram as pautas numa tendência do jornalismo: a regionalização da informação.
O jornalismo levou os estudantes muito além dos conteúdos de Português, oferecendo aulas de cidadania, política, economia e meio ambiente.
Assuntos que frequentam as páginas dos jornais e que passaram a fazer parte do dia-a-dia dos estudantes, como acontece numa redação.
Com a colaboração da coordenadora de eventos do Pontual, a professora Silvia Miccoli, responsável por dar a estrutura necessária aos alunos para a produção do jornalzinho, a equipe de reportagem da turma ouviu os moradores próximos à escola para saber o que pensam sobre a segurança pública na região, desde a instalação do 1º Distrito Policial (DP) em maio de 2006.
Localizado numa área central, entre as ruas Belo Horizonte e Paranaguá, que muitos consideram os Jardins de Londrina, o coração charmoso da capital paulista, o Pontual é rodeado de condomínios de alto padrão. As construções se multiplicam ao mesmo tempo que os problemas para os moradores.
''Alguns alunos produziram uma matéria sobre a obra de um prédio que está tirando o sossego dos vizinhos que, além da convivência com o barulho da construção, não suportam mais a poeira'', lembra Lopes, ressaltando que a reportagem ajudou os estudantes a refletirem sobre o meio ambiente e também os direitos do cidadão.
Pautas como essa geraram gráficos, que foram aproveitados ainda nas aulas de Matemática.
A produção do jornal também deu uma força ao hábito de leitura dos estudantes. ''Muitos alunos que não tinham o hábito de leitura de jornais, passaram a se interessar mais. Eles também fizeram uma análise crítica dos textos jornalísticos, que devem mostrar todos os lados de uma questão. Nas matérias que produziram, quando não obedeciam essa regra do jornalismo, eu devolvia o material para que reescrevessem'', acrescenta Lopes.


