Situado na Ilha de Tinharé a 270 quilômetros ao sul de Salvador, Morro de São Paulo deixou de figurar apenas no mapa dos aventureiros de mochilas para se tornar um dos destinos-sensação do Nordeste brasileiro.
Razões para isso não faltam. As ruas de areia sem tráfego, o mar cor de esmeralda repleto de piscinas naturais formadas por arrecifes – habitat de inúmeros peixes de todos os tamanhos e cores –, e pousadas charmosas fazem de Morro de São Paulo um local paradisíaco, povoado por pessoas de pele e cabelos dourados pelo sol. São aproximadamente 1.600 nativos que se misturam aos visitantes de todas as partes, muitos estrangeiros.
Todos que passam por ali ou moram na ilha tem um só propósito em mente: viver em comunhão total com a natureza. No pacato vilarejo basta adotar um ar descontraído, de simplicidade e pouca roupa para fazer jus ao espírito reinante da ilha.
Alguns visitantes vão mais longe e regressam, não de visita, mas para se instalarem de vez no lugar. São brasileiros, italianos, argentinos, espanhóis, alemães e portugueses que se deixaram seduzir pelo sonho de viver ao lado do mar, distante dos ruídos dos automóveis (que não circulam por lá), e passaram a administrar os seus próprios negócios (restaurantes, pousadas, escolas, artesanatos e atividades esportivas).
Bastam alguns dias de permanência na ilha para que você passe a ser cumprimentado nas ruas pelo seu nome e já tenha feito amizade com os moradores.
Reduto de hippies na década de 60, o Morro de São Paulo conserva poucos vestígios dessa comunidade, já que o seu potencial turístico foi descoberto e o vilarejo passou a viver essencialmente do turismo, da pesca artesanal, da comercialização de coco, de azeite de dendê e de piaçava (uma espécie de palha usada para a fabricação de vassouras e escovas).
Com o passar dos anos, pequenas pousadas foram construídas no centro da vila, entre os coqueirais ou a beira-mar. Mas é na rua principal, a primeira rua construída pelos portugueses em 1630, ainda de areia, que estão localizados os restaurantes pequenos e simples, onde come-se um pouco de tudo – desde peixe, camarão e lagostas até pizzas para aqueles que já se cansaram de frutos do mar.
Ao entardecer, o programa é subir até o farol e apreciar a bela vista panorâmica da ilha ou visitar a fortaleza construída pelos portugueses em 1630. Na época, a fortificação foi de extrema importância para a defesa da entrada da Baía de Todos os Santos. É que toda a área era uma verdadeira porta de entrada de navios piratas holandeses e franceses que navegavam rumo a Salvador carregando ilegalmente mercadorias e atacando embarcações portuguesas.
À noite, a partir das oito horas, a rua principal é invadida pelos artesãos locais. Todos os restaurantes abrem suas portas e a rua se transforma com muita badalação, paquera e música.
Depois da meia-noite é hora de voltar para a praia, sentar-se às mesinhas sob a luz das estrelas ou entrar no agito das festas organizadas na Segunda Praia. Nelas, os estrangeiros e visitantes do sul do Brasil aprendem a dar seus primeiros passos de dança.
Com vergonha de cair no axé music? Para resolver o problema, uma publicitária portuguesa, que abandonou Portugal para se instalar na ilha, oferece aulas de axé, lambada e forró na pousada Minha Louca Paixão, na Segunda Praia. Vale a pena conferir.

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