A poesia e a música caminham juntas, até mesmo porque é impossível tirar das letras a sua cadência musical. Essa proximidade estará mais que evidente na noite de hoje, no Teatro José de Alencar, em Fortaleza, com o lançamento do livro ‘‘Dizem que Poeta Fui um Dia’’, de Ary Albuquerque. O leitor será convidado a assistir a um concerto do Quarteto Alberto Nepomuceno, de Curitiba; de quebra deixará o teatro com o mais recente CD do conjunto.
A idéia deste ‘‘kit cultural’’ partiu do próprio poeta, que planeja colocar no palco do José de Alencar artistas declamando seus poemas, entremeando assim as sensibilidades dos versos e das cordas. ‘‘Será um concerto lírico-popular’’, explica Albuquerque.
Os poemas estão sendo escolhidos pelo poeta. Quanto às músicas a seleção foi feita pelo quarteto. A primeira parte da noite será dedicada a Tchaikowsky e seu ‘‘Quarteto número 1’’. A segunda trará composições e populares: ‘‘Asa Branca’’, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira; ‘‘Mourão’’, de Guerra Peixe; ‘‘Mensagem de Amor’’, xote de José Arimatea Santos; ‘‘Adágio para Cordas’’, de Alberto Nepomuceno; ‘‘Sete Canções Brasileiras’’, com arranjos de Tarciso Lima.
ReproduçãoEsta será a quarta vez consecutiva que o Quarteto de Cordas Alberto Nepomuceno se apresenta em Fortaleza, diz o violista José Maria. ‘‘Para nós é muito importante este contato; a receptividade das pessoas, a sensibilidade delas para a música é muito grande. Então isso nos comove, ao mesmo tempo que nos alimenta o espírito’’.
O grupo tem suas raízes ali. Foi em Fortaleza que ele surgiu, há 14 anos, com um objetivo prosaico: participar do Concurso Jovens Cameristas, promovido pelo Conservatório de Música Alberto Nepomuceno. Foi o primeiro colocado. Ainda hoje o grupo continua firme no propósito inicial de divulgar a boa música, sem fechar-se num gênero único.
Sua formação atual é praticamente a mesma de quando surgiu em 1984: apenas um dos músicos ingressou depois. Com dois CDs em sua discografia, o quarteto prepara-se para ser lançado nacionalmente pela gravadora RGE.
Já o poeta Ary Albuquerque, 64 anos, é um bem sucedido empresário que gosta das artes. Dedica-se aos poemas desde a mocidade; escreveu o primeiro aos 18 anos de idade. Dirige no momento três empresas voltadas à reciclagem e aproveitamento de resíduos termoplásticosá, e é um incentivadores da vida cultural em Fortaleza.
O ato de colocar no papel sentimentos e reflexões nunca foi motivo do autor se achar à altura de publicação. As expectativas literárias eram outras - ele pensava em lançar uma obra de memórias, abordando as raízes da família.
Por sugestão de amigos fez uma seleção do material poético e lançou ‘‘Dizem que Poeta Fui um Dia’’. A intenção do empresário é promover noitadas semelhantes em outras cidades como João Pessoa e Curitiba. ‘‘Isso é coisa para o ano que vem, ainda tem tempo’’, disse para a Folha2. Se tudo ocorrer como deseja, o conjunto de cordas e seus poemas mais uma vez estarão juntos.Arquivo FolhaQuarteto Alberto Nepomuceno: atração musical da noite curitibana no Teatro José de AlencarZeca Corrêa Leite

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